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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

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O dia em que quase perdi as forças

Pensei muito antes de decidir partilhar esta situação. Mas como as coisas estão mais calmas, não me sinto desprotegida em expor algo tão pessoal. No entanto, sinto necessidade em contar, mostrar o que andou (anda, cof cof) a afligir-me durante várias semanas. Quem sabe alguém tenha passado pelo mesmo. 

Antes de engravidar da Francisca, aconteceu o inesperado. Felizmente consegui engravidar sem problemas na primeira tentativa. Uma semana depois estava grávida novamente. Tudo corria lindamente apesar do medo de voltar a repetir-se. Mil cuidados, mas sempre com esperança que "vai correr bem".

Na primeira ecografia da Francisca o meu médico alertou-me para o facto da nuca translúcida ter um valor superior ao valor dito normal. Uma coisa mínima, pouco preocupante. Era necessário fazer o exame de rastreio para saber o mais rápido possível. Nessa altura fiquei nervosa, fizemos a viagem quase em silêncio, receosos. Enquanto o exame não chegou não ficámos sossegados. Fomos de férias sem o resultado. Tentámos não pensar muito no assunto. Quando regressámos de férias tive outra consulta, estava tudo bem com a Francisca. Podíamos respirar de alivio. 

Numa sexta fui fazer a morfológica e estava tudo bem. Lindamente. Bebé perfeita. O ecocardiograma estava marcado para a segunda feira seguinte. O médico não conseguiu ver o coração dela em condições por causa da posição. Esteve imenso tempo a tentar. Achou que o coração não tinha as medidas que devia ter, mas não conseguiu dar-nos a certeza. Foi o que escreveu no relatório e pediu-me para repetir às 32 semanas. Na sexta feira seguinte tinha consulta com o meu médico. Mostrar o resultado das análises, eco e exame. Assim que ele agarrou no resultado da ecocardiograma disse-me que não havia nenhum problema com ela. Ele estava convicto,  tinha sido ele a fazer a morfológica e não havia encontrado nada de errado. Levou-me para a sala das ecos de forma a mostrar-me que tinha razão. Mas assim que começou a ver percebeu que algo não estava bem com o coração dela. Eu fiquei gelada. A cara dele era preocupante. Começou logo a fazer telefonemas para o hospital de Santa Maria. "Segunda feira vai ter comigo a Santa Maria, vai repetir o ecocardiograma. Estou preocupado, alguma coisa não está bem com o coração da Francisca". Só queria sair do consultório e chorar. Infelizmente estava sozinha naquele dia. Receber uma noticia daquelas é ficar sem chão, sem ar, sem coisa nenhuma. Ainda faltam dois dias para a segunda feira. E não queria ir para casa enfrentar o Zé para contar-lhe. Não tinha forças. Assim que meti o pé na rua chorei muito. A angustia, a incapacidade. de lidar com esta noticia. O medo, muito medo. Claro que assim que cheguei a casa o Zé percebeu que havia alguma coisa muito errada. Não aguentei e perdi as forças perdidas quando abracei o meu filho. Aliás, recordar este momento emociona-me. O rosto dele quando ficou a saber. O rosto dele espelhava o meu.

Na segunda-feira, fomos para o hospital muito cedo. O resultado do exame dava conta de um valor anormal. O lado direito era menor que o lado esquerdo. Aliás, ainda é. Já repeti o exame diversas vezes. Estou com vinte seis semanas e o resultado continua o mesmo. Para além disso detectaram uma membrana dentro do lado direito. Tudo o resto está bem. Não está a influenciar em nada o fluxo sanguíneo. Pode acontecer com qualquer um. Ela vai ter de nascer em Santa Maria porque em principio será necessário uma pequena cirurgia para retirar a membrana. Uma coisa muito muito simples. Também precisam de saber como é que ela vai suportar o coração fora do útero. Estou a fazer mais exames do que o normal, tenho ido imensas vezes ao hospital mas estamos convictos que vai correr tudo bem porque os valores não demonstram o contrário. Ela está bem, repetem. Os médicos têm sido muito sinceros e prestáveis. 

Não digo que não tenho medo, não digo que estou completamente descansada. Só vou respirar de alivio quando esta miúda estiver nos meus braços com saúde. Quando meter os olhos nela. Até ao fim da gravidez vamos andar numa espécie de corda bamba, onde não podemos fazer nada para além de vigiar e torcer que as coisas corram bem. Assim é a vida. Assim está o meu coração actualmente. O meu e o dela. Pequeninos pequeninos. 

Sufoco

Regresso ao Hospital de Santa Maria amanhã de manhã. Por mim já tínha ido na sexta feira. Malditas horas que comandam o mundo e não ajudam a controlar a ansiedade a ninguém.

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