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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

De directa

Eu podia ter ido dançar feita louca debaixo da lua enquanto passava as mãos pelo cabelo e cantava bem alto: eu queria dizer que não mas não consigo. No entanto, a realidade é tão longe da expectativa. Eu cantei a música enquanto guiava o carro descapotável que eu não tenho mas gosto de inventar que tenho. Eu dancei na mesma situação. Mas depois cheguei a casa e tinha o miúdo acordado. Ele adormeceu mas não estava quieto um segundo. Então depois começou a festa da diarreia e se eu contar já são sete fraldas sujas desde que cheguei. Depois vomitou muito. E eu estou aqui de olheiras à espera da próxima fralda suja, a dar água enquanto escrevo sobre a situação só para aligeirar a coisa enquanto canto: eu queria dizer que não, mas obviamente que não consigo.

Fim de férias |12º dia

Último dia de praia. O dia só esteve bom depois das três horas. Ainda consegui ir à praia com o Gustavo. Eu queria ler, ele queria jogar. A praia cheia de miúdos e ele só brincou comigo. Fui praticamente obrigada a estar ao sol durante três horas a lançar uma bola. Ainda consegui ler durante o dia, acabei o Mystic River e comecei Crónicas de um Assassínio. Gostei do Mystic River, não estou  gostar muito deste. Também terminei de ver o filme Mystic River, como tinha lido o livro nao fui surpreendida e não amei o filme. Toda a gente me dizia que o filme era um filmaço, mas não achei. É fiel, mas achei o desfecho ficou aquém das minhas expectativas. Estão a ver como uma pessoa sem telemóvel é mega produtiva? E estou viva! Não sei durante quanto tempo, mas estou. Agora estou a terminar de ver Dark Places. Estou a gostar. Estou na cama, com os dois miúdos, um de cada lado, a dormir. Dei um espirro e quase acordei os dois. Não aconteceu grande coisa no dia de hoje, Já tenho as malas prontas e tudo arrumado. Amanhã seguimos viagem para Alenquer. Saudades do ginásio, já vos disse? Vou ter saudades disto. Gostei muito das férias. Fizeram-nos bem. A Francisca vai mais gordinha e crescida. O Gustavo mais mimado e feliz por ter passado tantos dias connosco. Também acho que ele se transformou num minion tal é a vontade de comer bananas. Eu vou um bocadinho mais morena e sem telemóvel. O Zé com mais cabelos brancos. 

 

Gostei muito de escrever este diário de férias. Obrigada a todos os que leram e comentaram. Foi bom escrever, foi muito bom. Para o ano há mais. 

Nublado | 11º dia

Que dia tão nhó. Nublado, chegou a chover de manhã. Não houve praia para ninguém, dormimos todos uma valente sesta depois de almoço. Não li grande coisa. O sol é necessário para fazer mover. Tenho pouco digno de registo. Conduzi o carro sozinha, fui até à Marinha Grande. Ele não anda, ele desliza. Adoro conduzir o carro novo. Não tem nada a ver com os outros carros. A dona da casa voltou do Algarve, estivemos à conversa. Só disse mal do Algarve. Já a avisei que vamos embora no sábado. Ela disse que não preciso limpar o chão, só o fogão. Eu vou limpar tudo. Comemos o peixe de Pedrógão, com vinho alentejano a acompanhar. O meu iPhone desligou-se para sempre. O Zé disse-me para o embrulhar em pensos higiénicos, diz que a humidade desta terra deve ter estragado o aparelho. Sendo assim, foram umas férias mega caras. Neste momento tenho o iPhone embrulhado em dois pensos higiénicos. Duvido que resulte. Vou estar offline os últimos dias de férias, até arranjar nova solução. Eu sei o que queria, queria um iPhone novo, mas não pode ser. Logo se vê. A Francisca está a palrar há mais de meia hora. O Zé disse que ela deve ser francesa. O Gustavo adormeceu. Por falar no Gustavo, ainda não contei como ele é meigo para a irmã. Está sempre a querer dar abraços, beijinhos. A dizer "Faísca, não chora não"; "Queres dormir, queres?". Dá-lhe a chucha, vai buscar a fralda dela. Quer pegá-la ao colo, dar-lhe festas ou abraçá-la quando estão a ver desenhos animados. A Francisca adora estar a olhar para a televisão. O Gustavo só começou a gostar depois dos dois anos. Bem, ganhou a França. Preferia que tivesse sido a Alemanha. Meti-me a ver o filme Mystic River antes de terminar o livro. Os primeiros 34 minutos do filme está super fiel. Agora não sei se paro se continuo. O Zé está a tentar adormecer a Francisca, só o oiço bufar. Mais um filho? Ahahahah. 

Euforia | 10º dia

Assim que meti os olhos no céu, adivinhei um dia lindo e cheio de praia. E foi. Calor imenso, brisa fresquinha de vez em quando. Muito amor. De manhã, eu fui um bocadinho à praia antes de almoço. Li estendida na toalha com alguma dificuldade para abrir os olhos. Depois do almoço, e das sestas ( não caio noutra outra vez), fomos para a praia. Mesmo em frente à biblioteca de praia. Em Pedrógão, Cidália. No centro da praia de Pedrógão. Perto dos barcos de pesca. Tão perto, que dá para sentir o cheiro a peixe fresco. Mas não é um cheiro forte. Ainda trouxemos um saco cheio de peixe para casa a. Para grelhar ou fritar. Com arroz de tomate, disse a peixeira. Essa peixeira esteve na conversa com o Zé durante imenso tempo. Contou-lhe vários pormenores da vida dos filhos e dos netos gémeos. Eu só ouvi um bocadinho. Ela ofereceu-se para ficar com a Francisca. É uma alegria, aqui toda a gente se oferece para ficar com os meus filhos. Só me apetece levar estar pessoas comigo para Alenquer. Estivemos na biblioteca a montar vezes sem conta o puzzle do Noddy. Depois ouvi uma história super interessante sobre o escritor Aquilino Ribeiro (deixo para contar noutra oportunidade) e já ando atrás do livro A Batalha Sem Fim. Levo para casa na próxima vez que for à biblioteca de Vila Franca. Espero não esquecer-me. Adoro ouvir conversas que parece que foram feitas para mim. Eu acredito nessas coisas. Estava ali no momento certo, à hora certa e pensei "é um sinal". Comemos bolas de Berlim. Não gostei muito. Em Alenquer vou fazer um detox durante uma semana. Um mês. Sei lá. Só aconteceu uma coisa desagradável no dia de hoje. Estava a fazer o leite à Francisca. Pousei o biberão com a água quente no chão. O Zé deu um pontapé na bola, derrubou o biberão no meu pé direito. Enquanto rogava pragas agarrada ao pé queimado andei para trás e bati com a cabeça nas escadas que ficam por cima. Às vezes acho que estou dentro de uma série televisiva tal são os desastres em dominó. Senão os vivesse, não acreditava. O Zé fez um esforço enorme para não rir. Mas assim que eu comecei a dizer para ele não rir da minha figura, agarrada ao pé e à cabeça, ele riu-se. Comecei ler o livro Mystic River, e já tenho o filme para ver. O livro promete. E a seleção portuguesa também. Como é que o Cristiano consegue saltar tão alto? Estava tão eufórica com os golos que assustei a Francisca. Não se dá bem com gritos. Nem ela, nem o irmão. Tem de ser tudo na paz. Um barulho fora do lugar, desatam a chorar. O Gustavo quando era mais pequeno até do barulho dos sacos do lixo tinha medo. Agora se o pessoal começa a bater palmas depois do hino quer ir de imediato para o meu colo, todo borrado. Eu só quero ver a cara dos meus filhos quando lerem este diário de férias daqui a uns anos. Vão dizer que estou a inventar ou exagerar. Só espero que o pai deles seja vivo para confirmar. Ou que tenha boa memória. Por falar nisso, ele perguntou-me se íamos fazer outro filho. Que ainda temos outro lugar vago no carro. Eu acho que vou começar a pensar numa terapia de choque. Sempre que a Francisca chorar quando estiver com ele, vou para a casa da vizinha. E vou começar a ir  "despejar o lixo" quando ele estiver com os dois com birra de sono. Sim, acho que vou fazer isso. O dia foi tão bom que nem o facto de ter a tecla principal do iPhone estragada me estragou o dia. Simmmm!!! Estamos na final!!!

 

(eu e o Zé estivemos precisamente quarenta segundos sozinhos no sofá, o Gustavo assim que me viu deitada ao pé do pai, saltou para cima de nós e só saiu quando a Francisca acordou)

 

(agora que as férias estão a acabar, descobrimos o melhor lugar na praia, que o sofá cá de casa abre e a lagoa mais bonita. não estou preparada para regressar no sábado)

Bonito e perfeito | 9º dia

Peço desculpa às pessoas estavam na praia por volta das 13:30-13:50. Eu sei que é complicado ouvir gritos de criança quando estamos a tentar relaxar mas espero que entendam. Ele estava com birra do sono, errámos ao sair sem eles dormirem a sesta. Nunca mais! Aprendi a lição. O tempo mostrava-se nublado e ameno, ideal para irmos para a praia mais cedo. Não fosse a gritaria do Gustavo com areia à mistura, ranho e creme, seria perfeito. E acabou por ser. Depois de eu ter fugido uns minutos enquanto o Zé segurava o barco. Ele também acabou por abandonar a praia e ir dar-lhe um banho. Estávamos os dois a ser observados pelas pessoas da praia. Eu estava com as bochechas coradas de vergonha. Mas quando ele regressou mais calmo, abraçou-se a mim, pediu desculpas e o dia acabou por ser um quadro bonito. Brincadeiras na areia, passeios para ver os barcos parados no meio da praia. Uma bola de Berlim, um gelado. Fotografias. Beijinhos. Encontrámos um lugar perfeito no meio da praia. Amanhã vamos para lá. Como é que venho aqui há tantos anos e nunca dei com ele? Uma biblioteca na praia, com cadeiras com riscas azuis e brancas na zona frontal, casas de banho limpas. A biblioteca tem vários livros novos. Janelinhas para ver o mar. Mesa para levar o portátil. Mesa com desenhos para os miúdos pintarem. Cheiro a livros e mar. Avisei logo o Zé que até ao fim das férias vamos passar ali as tardes. Melhor, várias famílias com crianças. O Gustavo escusa de esperar que a Francisca cresça para brincar com alguém do seu tamanho. Eles dormiram uma sesta maravilhosa. Adoro quando isso acontece porque eu consigo descansar um pouco e ler muito. Estou quase a terminar o livro do Joel Neto. Aliás, termino hoje. São nove da noite, estamos todos cansados. O Gustavo também está mas decidiu cantar " olha a bola Manel" enquanto vê o Panda Ku Fu pela segunda vez. Mais havia a contar, mas dói-me os dedos. E quero ir terminar o livro.

 

(Ainda não recebi o reembolso do IRS)

( O Ricardo mandou-me mensagem a falar no ginásio e eu fiquei com mais saudades)

(Uma amiga perguntou-se se eu queria comprar umas menorquinas porque estava a fazer uma encomenda. Eu disse que sim e acabei assim uma greve de nove meses sem comprar nada para mim. Livros não conta)

(Uma coisa que me deixou muito feliz. A mensagem da mana Daniela: "estás a fazer com que goste de livros")

Lá terminei o livro, entre escrever este texto e esperar que o Gustavo adormecesse. Só agora (23:34). Amei o livro. Muito bom!

Impressionante | 8º dia

Hoje andei a café. Só o café para me salvar. Tive uma noite péssima. Não dormi nada. Acho que fiz uma directa na posição horizontal. Só me lembrei de vestir a camisola quentinha perto das sete. Tarde demais para estar confortável. A minha cabeça não parava de pensar. A vida está a testar a minha paciência e a minha capacidade de perdoar. Relativizar. Estou a ficar expert no assunto. Não é bom sinal. Pensei em tanta coisa. Fico sempre com insónias quando isso acontece. De manhã acordo mais leve. Com sono, mas mais leve. Hoje foi a vez do Zé e da Francisca virem dar os bons dias à ala norte. Expliquei-lhe que não tinha dormido nada, ele deixou-me sozinha mais um bocado. Acabei por levantar-me minutos depois. Sem vontade. Arrastar-me. Não tinha planos para hoje, ao contrário do que aconteceu nos outros dias. Logo se vê. Só queria beber café. Mas nem vontade para sair de casa. Como os dias não são feitos para morrer no sofá, decidi vestir-me, ir ao mercado e tomar café. O Gustavo quis vir atrás de mim, com a bicicleta. Voltinha dada, apanhar a brisa fresca nas ventas. Bem bom. Acordei por mais umas horas. Depois de almoço fomos até ao parque da marinha grande. No caminho perguntei ao Zé: " e se eu fizesse uma viagem sozinha a uma cidade da Europa durante três dias só para viver a experiência?". Ele disse que ficava com os miúdos, não havia problema nenhum. "Eu fazia uns snaps, podias ver tudo. Gostava de viver esta experiência um dia. Queria ver se me safava". E sonhei, sonhei com as cidades europeias e eu de mochila às costas. Nunca andei de avião. Nunca saí de Portugal. Tenho de pensar seriamente nisso. Fim de pensamentos, chegámos ao destino. O parque da Marinha Grande é enorme, muito bonito, cheio de lagos e patos. Várias diversões para as crianças, campos de futebol, café com esplanada. Queria um destes em Alenquer. Foi muito bom andar por lá. Gostámos muito. Na hora de ir embora a confusão do costume. Já nem vale a pena falar nisto porque o Gustavo não perde uma oportunidade de fazer drama. Mas o milagre aconteceu assim que as portas do carro fecharam, o regresso foi silencioso. Foi extraordinário. Eu estava quase a dormir. Precisava de café para aguentar mais uma horas. Todo o meu corpo pedia cafeína. Ia escrever nicotina, tal é o cansaço. O Ze e a Francisca ficaram em casa, eu decidi ir até ao café e depois ir à praia com o Gustavo. Queria aproveitar os últimos raios de sol do dia. Levei o portátil para o café para fazer download de dois filmes para ele. Já não aguento o Tom & Jerry. A net foi feita para ser usada. Desperdício de megas naquele café, credo. Consegui entreter o miúdo com vídeos no YouTube ( existem uns chamados Os Heróis da Cidade, são em português e muito giros). Consegui beber café e uma bebida descansada da minha vida enquanto lia o livro do Joel Neto. Consegui sacar dois filmes ( minions e panda ku fu). Mais um milagre desta vida. Estivemos ali uns trinta, quarenta e tal minutos. Depois fomos para a praia. Ele brincou na areia com o carrinho e a pá. Eu estive a ler mais umas páginas. Tudo a correr lindamente até que apareceu uma miúda vinda de não sei onde a comer um calipo, a fazer barulho como quem come uma sopa quente. Não sabia que era possível alguém comer um gelado daquela maneira. Ela, com tanto espaço naquela praia, meteu-se praticamente em cima de mim, a olhar-me fixamente enquanto comia ( ou lá o que era aquilo) o gelado. Eu disse asneiras em pensamento. Devíamos ser umas oito pessoas no areal àquela hora. Estivemos lá até às sete e tal. Estava óptimo. Mas o Gustavo quis começar a tentar impressionar a miúda com tentativas frustradas de roda e cambalhotas. Como não estava a resultar, decidiu atirar areia ao ar e à minha cabeça. "Vamos embora senão parares!". E ele, ao contrário do que eu queria, disse: "está bem!". Agarrou na pá e nos sapatos e começou a ir em direcção às escadas. Eu de boca aberta fui atrás dele. Quando lá cheguei estava com os sapatos calçados à minha espera. Nem um piu. Até foi para o banho sem resmungar. Jantou sem piar. Ok, quis roubar o ovo cosido ao resto da família depois de comer o dele, mas de resto nada de gritaria ou outras parvoíces. Meti-lhe o filme dos Minions. Já acabou. Agora está a ver o Panda Ku Fu. Também está a tentar meter o pé na minha cara, mas cheira bem, não me importo. Ah, lembrei-me, de agora em adiante só quero ler um livro de cada vez. Foi coisa que descobri este ano. Dou-me melhor com um livro de cada vez. Também descobri outra coisa qualquer sobre os livros, mas já não me lembro o que é. Outra coisa, preciso de registar os códigos dos meus cartões de multibanco num sítio qualquer. Mais uma vez esqueci-me deles. Entretanto, eu e o Zé falámos e vamos regressar no próximo sábado. Achámos melhor o Gustavo ser preparado psicologicamente antes de regressar ao infantário. Eu não quero estar no lugar do Zé na segunda-feira de manhã. Sorte a minha, não vou estar.

(recebi mensagens a perguntarem quando chego a Alenquer, a pedirem-me fotos, a perguntarem-me pelo tempo e por uma receita de pão de ló de chocolate)

(só tenho saudades de uma coisa. do ginásio. nada mais. desculpem)

(amanhã preciso de ligar para a biblioteca para renovar os livros)

Vergonha | 7º dia

Manhã cedo no mercado a comprar pão. Pão de sementes para mim, pão branco para eles. O Gustavo troca-me às voltas e quer o pão de sementes. Sempre assim. Comprei legumes frescos para a sopa da Francisca. E para a sopa do resto da família. Adoro o cheiro do mercado e do mar pela manhã. Adoro ver pessoas sorridentes pela manhã. Com o mês de Julho chegaram mais pessoas a Pedrógão. E o calor. Fui ao café Gente Gira, fiz uns snaps (as saudades que eu já tinha de falar com a minha cara a olhar de esguelha) enquanto bebi um café. Lá se meteram com a Francisca, não há um dia que não se metam com ela. "Quanto tempo tem? Tão fofa, tão gira. Pesinhos tão gordinhos. Parece a Sofia". Dizem sempre isto no café. A Sofia é a neta dos donos do café. Nunca a vi. Depois de almoço fomos até à Lagoa da Ervedeira. Não conhecia. Só tinha visto fotos na internet. É um sítio muito bonito. Natureza pura, ar puro. Estavam imensas pessoas a fazer almoço no parque das merendas. Sem burro, fomos com a tralha toda até à Lagoa. O Zé pergunta quantas pessoas conhecemos capazes de fazer isto. Eu respondo que toda a gente no mundo consegue, mas nem toda a gente se dá ao trabalho. Quando fui beber café com o Gustavo encontrámos um mini campo de futebol com balizas pequeninas. Tinha também um parque para os miúdos bem catita. Ele comeu um Epá. Acho que foi a segunda vez na vida que comeu um Epá. A primeira vez foi no jardim de Vila Franca de Xira e sujou-se todo. O Gustavo encontrou uma bola perdida ao pé da baliza. Quis ficar com a bola. Eu disse-lhe que não podia porque não era dele. Ele não quis saber. Para virmos embora teve de trazer a bola. Eu levei a bola dele, ele levou a bola do outro. Eu já não aguentava os gritos do miúdo quando lhe disse para deixar a bola do outro. Às vezes, faço isto. Não roubo bolas, mas deixo-o fazer o que ele quer só para não o ouvir. Sei que não é o mais correcto, mas teoria é teoria. Quero ver na prática. Quando chegámos à toalha o Zé ralhou comigo porque trouxe uma bola que não era nossa. Quando formos embora vamos lá entregar, disse-me. Pronto, está bem. É só uma bola. Também roubaram a bola dele na outra praia. Enquanto falávamos no assunto, apareceu um homem chateado que perguntou ao Gustavo: onde é que está o teu pai? O Zé todo aflito: sou eu. O homem: esta bola é do meu filho. E agarrou na bola. O Gustavo começou logo com o berreiro. Fui buscar a bola dele e expliquei ao homem que só tinha trazido porque ele não se calava. O Zé disse logo umas seis vezes seguidas: por acaso íamos devolver quando fossemos embora. Claro que ninguém acredita nisto. O homem disse que entendia porque o filho dele era igual. Convidou o Gustavo para ir jogar à bola com o filho. Eles foram, eu fiquei com a Francisca. O Zé disse que ele acreditou, que lhe ofereceu um copo de cerveja e tudo. Sim sim. O Zé estava envergonhado com a situação. Eu continuo a pensar: é só uma bola! Adiante. O Zé foi mergulhar na Lagoa. Eu fiquei a olhar. Não molhei as unhas sequer. Estava muita gente. O meu fio dental era demasiado escandaloso para aquelas pessoas. Arrependi-me logo da escolha. Também li o livro do Joel Neto. Ele escreve muito bem, mas a narrativa não é nada fluida. Todas as pessoas que passaram por nós se metiam com a Francisca. Diziam: oh que bebé tão pequenina, oh que bebé tão fofo. Nunca trataram por menino ou menino. Tinha medo de errar. O Zé reparou nisso também e perguntou se ela tinha cara de rapaz. Eu acho que tem. Sei lá. Não se nota bem. Depois mais uma guerra para irmos embora. É sempre assim. O Gustavo nunca quer ir embora para casa. Sejam as horas que forem. Qualquer dia deixo de ir seja a onde for. Perco sempre três quilos com estas guerras. A Francisca já começa a gostar mais do carro, agora que perdeu mais aquele cheiro a novo. Não sei. Fomos comprar o jantar. Eles adormeceram na viagem. Depois tivemos de os acordar para os levar para casa. Ohhh. Aquelas coisas habituais, comer e banhos. O Gustavo toma sempre banho comigo. Gosta de me lavar a cabeça. E mandar-me água para a cara. Tom & Jerry pela décima terceira vez. Já estou fartinha. Já conheço as músicas. Li mais um bocado. Também tentei ouvir umas notícias mas o Gustavo não deixou. Só queria brincar à luta das almofadas. Desisti. Vim para o quarto. Está muito silêncio nesta casa. Estou de coração cheio. E não me apetece falar em coisas menos boas. A vida é mara! Vou comer. 

Do verbo dormir | 6º dia

Acordei com o choro da Francisca. Acalmei-a. Voltei para a cama. "Bom dia, mãe". Pequeno almoço. Porca Peepa enquanto comíamos. Eu terminei o livro Uma Rapariga é Uma Coisa Inacabada. Fomos tomar café com a porca Peppa atrás. Senha de Wi-Fi. Colecciono senhas, desta vez é GenteGiraZe. Tudo a ver. Comecei a ler Arquipélago, do Joel Neto. Para casa, arrumar tudo, sair de casa. Fomos até ao Monte Redondo, ao parque. Escorrega, baloiço, bola, bicicleta. O Miguel ligou-me. Já não me lembrava que era sábado. Conversámos. Vem cá ter. Não vai dar. Oh que pena! Hora de regressar a casa. Gritaria total do meu profissional. "Não kelly, não kelly". Ele tem um problema com uma Kelly qualquer. Não "kelly" nada. Eu só queria que ele quisesse. Muita conversa, tivemos de prometer tudo para o enfiar no carro. Eu fui tratar do almoço da Francisca e do resto. Eles foram dar uma volta. Quando chegaram a casa o Zé disse-me que lhe prometeu um cocktail com tudo o que ele mais gosta. Ele esqueceu-se. Temos sempre alguns truques guardados. Um, pedir ajuda para meter a mesa. Ele todo contente a meter os pratos, os talheres. "Aqui é a mãe". Depois de almoço fomos todos dormir a sesta. Queria ir às piscinas com o Gustavo. A sesta foi tão grande que acabamos por não ir. Era tarde. Fomos dar um passeio. A praia com pessoas, os passeios com pessoas e cães. O Sol lindo de morrer. O mar lindo de morrer. Percorremos aquelas ruas todas. Parámos para beber um copo. A Francisca estava quente. Comecei a pensar que ela tinha febre. Melhor irmos para casa. Afinal já não estava quente. Vamos dar outra volta. Foi giro. Brincar à apanhada. O Zé a levar-me às cavalitas. Já não andava às cavalitas há anos. Não é coisa que costume fazer todos os anos. Mas gosto. De vez em quando vai. O Gustavo a pousar para as fotos com o sorriso lindo. Deu para namorar um bocado depois da Francisca adormecer. Fomos beber mais um copo. Ela acordou. Ela acorda sempre quando paramos para relaxar. Temos de estar sempre em sentido. Não há descanso. Toca a abanar-me, manda ela. Quero banana, manda ele. Casa, jantarada. Hoje foi calmo. Agora consegui meter a Francisca a dormir. Mas já sei que vai acordar assim que a deitar na cama. O Gustavo está a ver o filme do Tom & Jerry pela quarta vez desde que chegámos. Eu vou ler. Olá mãe. É só para ver se a minha mãe leu isto até ao fim. Ela acordou. Eu não disse? Ah, o Gustavo está a tirar macacos e a dar-me. Adoro. 

Profissionais | 5º dia

Dizia eu a meio do dia que não tinha grande coisa para escrever no dia de hoje. Dizia eu. Enganei-me redondamente. E não gosto nada de me enganar. Então foi assim. Acordámos, fomos tomar o pequeno-almoço. Levei o pequeno-almoço à cama do Zé. Ele ficou todo contente, mas não tinha fome. Nunca tinha feito isto. Sempre aprendi alguma coisa com o Love on Top. Acho que as pessoas só comem na cama por respeito a quem lhes leva o pequeno-almoço, ninguém acorda com fome. Disse-lhe que não precisava de comer naquele momento. Ele comeu tudo. Come sempre tudo quando diz que não tem fome. Fui tomar café com os meus filhos. No café falavam no jogo de ontem. No Cristiano que estava nervoso, no guarda redes que é do Sporting, do outro que é do Benfica. A dona do café quis pegar na Francisca ao colo para matar saudades da neta. Diz que são parecidas. Uma outra senhora jogou à bola com o Gustavo. Diz que ele vai ser profissional de futebol. Eu bebi café descansada. Voltámos para casa. Arrumámos tudo para irmos até a São Pedro de Moel. Tinha saudades. Muitas. Um dos meus lugares preferidos desta vida. Adoro São Pedro de Moel. Fomos passear um bocado. Depois fomos almoçar. Ficámos na esplanada. Fizemos o pedido. Ela não adormeceu depois de comer, começou a chorar. Chegou uma mulher grávida com mais três filhos. Sentaram-se à minha frente. Eu perguntei ao Zé, quanto deve custar uma carrinha de sete lugares. Ele perguntou-me, no que estás a pensar? Só curiosidade, respondi. Ela começou a chorar mais alto. Tive de abandonar a minha pizza e ir passear com ela. O Gustavo quis vir atrás. O Zé trocou comigo. Uma senhora encontrou o casaco da Francisca no chão e pendurou o casaco num vaso. Eu vi e fui buscar. O Gustavo sentou-se outra vez à mesa. Conseguir acabar de almoçar. Ela adormeceu no passeio com o pai. Fomos embora para a praia. Enquanto eu lia umas páginas do livro, eles brincavam. Ela dormiu uma sesta enorme. Dorme lindamente na praia. A minha mãe ligou-me a contar do susto que apanhou com a minha avó. Agora já está tudo bem. Fiquei preocupada. Também me disse que eu não quero saber de ninguém quando estou de férias. Férias são férias. A Francisca acordou. Fomos passear até ao mar. O Gustavo atirou areia para cima de nós. Duas vezes, com a pá. Chateei-me. Depois fomos embora para casa. O Gustavo fez uma birra enorme quando chegou ao carro. Foi complicado. Adormeceu assim que entrou no carro. Era birra do sono. Fomos até ao supermercado. Como ela ainda estava acordada, o Zé foi dar uma volta de carro enquanto eu fui às compras. Ela lá adormeceu. Fomos para casa. Devagarinho, para o silêncio demorar mais. A estrada perto de casa tinha um sinal de sentido proibido. Antes não estava lá. Tivemos de dar a volta. A outra estrada tinha o acesso bloqueado. Antes também não estava. Tivemos de dar outra volta. Quando estávamos a chegar a casa, o Zé ia batendo noutro carro. Ele diz que estava a olhar para o lado, disse-lhe que ele tinha de olhar para a frente. Ele disse que costuma olhar muitas vezes para o lado e não acontece nada. Eu não quis estragar o dia e não disse nada. A culpa nunca é dele. Fiquei com o coração acelerado. Ainda bem que eu estava a olhar para a frente. Chegámos. Banhos, lanche. Choro, muito choro. Tem de ser. Eles são profissionais. Jantámos. O Zé quis ir passear com a Francisca. Eu fiquei com o Gustavo em casa. Pedi-lhe para me trazer café. Antes de saírem de casa, o Gustavo caiu e bateu com a cabeça no chão da sala. Mais choro. Eu disse que eram profissionais. Ficámos abraçados no sofá. Eu li mais um bocado. O Zé regressou com o meu café. Contou-me uma novidade, recebeu um telefonema. Outra preocupação. Desta vez sobre o pai dele. Chorei, irritada. Obriguei-o a falar. A dizer o que sentia naquele momento. Ele guarda tudo. Eu não guardo nada. Espero que os meus filhos sejam como eu. Falem, gritem. Ele disse que não posso sufocar os meus filhos. Não vou sufocar, quero que eles tenham liberdade para contarem-me os seus problemas. Pedi ao Gustavo para ele contar-me os seus problemas. Ele disse-me que não queria voltar ao infantário. Óbvio que não disse, isto sou eu a inventar. Ele só disse que sim. Aposto que nem percebeu o que lhe pedi. Chorei ao pensar no pai do Zé. Chorei com a situação. Tentei arranjar uma solução. Eu gosto de pensar nas soluções, em vez de pensar nos problemas. Às vezes, os problemas ainda não existem e eu já pensei nas soluções. Ele diz que é uma boa ideia. Veremos, espero que sim. Esqueci-me da água a ferver. Quando me lembrei a cafeteira já não tinha água. Depois não encontrávamos a chucha da Francisca. Não queriam dormir, estavam sem sono. Nunca têm. São profissionais a chorar e a dormirem pouco. Mas são espectaculares. E talvez por isso tenha perguntado o preço de uma carrinha de sete lugares. Só pode. Não estou a ver outro motivo. Ou isso ou estou a precisar de um par de chapadas. Acho que me estou a esquecer de alguma coisa. São tantas coisas. 

 

(não há melhor terapia do que escrever. tudo acaba por ser tão fugaz, perder o peso e transformar-se em algo tão bom. é, é isso. obrigada por estarem aí.)

Tudo trocado | 3º dia

Hoje estava difícil para vir aqui escrever o diário. Eles não queriam dormir por nada deste mundo. Tivemos uma tarde excelente, então não podemos ter tudo. De manhã fiquei a saber que o Zé teve uma noite péssima com a Francisca. Calha a todos. Eu dormi lindamente. Então, acordei bem disposta e fui preparar o pequeno almoço. Meti o filme do Tom e Jerry para o Gustavo ver enquanto comia os ovos mexidos. Ele riu-se algumas vezes. Eu gostava muito do Tom e Jerry quando era miúda. Fico contente que ele também goste. Depois saímos em busca de uma farmácia à procura do leite da Francisca. Primeiro fomos ao supermercado, eu fiquei no carro porque ela estava a dormir. O Zé foi com o Gustavo. Quando ela acordou, dois minutos depois, fui ao café do supermercado beber café. Ouvi um choro e reconheci logo, era o Gustavo. Queimei a língua a beber o café à pressa e fui ver o que se passava. O Gustavo no chão a chorar, a empregada a limpar os ovos desfeitos no chão, o Zé com uma cara aflita a tentar ajudar a empregada. Eu pedi-lhe para parar de chorar e resultou. Entretanto, fomos à farmácia e não havia o leite dela, então trouxemos outro. Perguntei ao Zé se lhe dava ali o leite ou se esperava por dar em casa. Ele disse para eu esperar. Então viemos com a miúda ao berros. Mas não era fome porque assim que saiu do carro calou-se. Eu acho que ela enjoa ou algo do género. Nem sei se isso é possível, mas não se cala em nenhuma viagem ( só se estiver a dormir) e ainda vomita no fim. O Zé foi tratar do almoço e eu fui tratar do almoço dela. E foi uma confusão outra vez. As sopas estavam trocadas. A sopa dela continuava dentro da bimby desde a noite anterior, a minha sopa estava nos frascos da sopa dela. Adivinham quem é o culpado? Eu não sou de certeza. Mas não valia a pena continuarmos a ver quem tinha razão. A fome apertava, só isso interessava. Ele foi grelhar o peixe e demorou imenso. Achei super estranho e não achei. Primeiro porque ele demora sempre imenso a fazer seja o que for, mas estava a demorar mais do que normalmente demora. Comecei a ouvir uns gritos, tinha ficado na rua e a campainha não funcionava. Estava farto de me chamar. Depois do almoço, fui beber café com o Gustavo enquanto o Zé ficou com a Francisca. No café, perguntei se ele queria um gelado e ele não quis. Perguntei três vezes, ele rejeitou sempre. A dona do café achou engraçado porque os miúdos nunca negam os gelados. Ele não está habituado a comer doces, por isso eu acho normal. E fiquei contente porque ele não quis. Só insisti porque tinha uma nota alta e estava com pena de pagar cinquenta cêntimos. Jogámos imenso à bola e fomos para as dunas brincar. O Zé ligou-me a dizer que a miúda estava a berrar. A minha irmã ligou-me a dizer que fazia vento em Alenquer. Voltamos para casa, mas saímos logo porque quisemos ir aproveitar o bom tempo para a praia. E aproveitamos tão bem. Foi uma tarde excelente. A Francisca dormiu uma sesta maravilhosa debaixo do chapéu. O Gustavo esteve a brincar com o pai. Eu estive a ler. Terminei o romance do Vargas Llosa. Não gostei nada. Comecei a ler Uma Rapariga é uma coisa Inacabada. Que livro tão confuso no início. Li um excerto para o Zé e ele também concordou. Agora já estou a gostar mais. Mas não era bem um livro tão triste que me apetecia nestas férias. Quando ela acordou, fomos para casa. Deixámos lá o corta-vento e o chapéu. O Zé ia buscar mais tarde. Quando foi buscar já não estava lá a bola do Gustavo. Roubam tudo. O Gustavo tem azar e o gás acaba quase sempre quando ele está cheio de espuma. Aconteceu outra vez. O Zé foi a casa da senhora que a senhora de ontem indicou. Afinal não vendiam ali. Tanta explicação não sei para quê. Teve de vir buscar as chaves do carro e ir comprar uma botija algures. Embrulhei o Gustavo numa toalha e meti-o sentado à frente da irmã. Ele abria a toalha e dizia, olha aqui mana. Estava a mostrar-lhe que estava todo nu. Ela ria-se porque se ri de tudo. Entretanto lá conseguimos dar os banhos e rir um bocado da situação. O Gustavo acabou por adormecer super cansado. Ela acabou por dar cabo de nós até agora. Não queria dormir. Quando passámos o Gustavo do sofá para a cama, ele acordou e fez companhia à irmã até agora. O Zé tinha os olhos vermelhos, coitado. Eu recebi uma mensagem a perguntarem-me que carro tinha comprado. Acho graça. Mas nem tem graça nenhuma. Também me perguntaram se eu já tive momentos a sós com o Zé. Então esta ainda tem mais graça. Experimentem ter dois filhos, só conseguem estar com o vosso companheiro na casa de banho dois minutos se decidirem brincar às escondidas. Ok, é possível, mas é preciso muito red bull, saber fingir de vivo e horas marcadas. Eu perguntei ao Zé se ele queria fingir que era meu namorado há uma semana. Ele disse que era complicado fazer uma coisa dessas porque já são sete anos. Ainda me leva a sério. Eu fui ver um filme chamado Pais e Filhas e chorei. E depois fui ver fotos das férias do ano passado. Vi a minha barriga de grávida e não senti saudades. Vi vídeos do Gustavo a dar festas a gatinhos e senti saudades. Entretanto, toda a gente adormeceu e eu vim escrever isto. 

 

(fiquei toda contente porque até da Tailândia leram o texto de ontem e ainda recebi um comentário todo catita. hoje não li o texto ao Zé porque ele revirava os olhos sempre que eu ia à sala interromper o seu descanso com uma porcaria estúpida qualquer, vou dar-lhe um tempo para ele sentir saudades e pedir-me encarecidamente para ler-lhe isto. ele ficou outra vez com a Francisca, acho que percebeu que eu fiquei os outros dias desde que ela nasceu. muito bem.)

 

(hoje meti quatro fotos das férias no instagram e a minha cara foi a que recebeu menos gostos.)

 

(ainda não conduzi o carro novo, acho que vai ser amanhã. é uma carrinha, não sei se sei calcular o tamanho daquilo, estou com medo.)

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