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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

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O dia mais feliz da minha vida - parto do Gustavo

ao colo do pai

 

Passei o dia 19 de Fevereiro com dores ao longo do dia. No final da noite, arrastei-me enquanto fazia o jantar. O marido decidiu montar a cama e pendurar os quadros no quarto. Pediu-me várias vezes ajuda, repetia-lhe: "hoje não estou a conseguir fazer nada". Já tinha metido na cabeça que o parto só seria na segunda-feira (ou seja, ontem dia 25) conforme combinado com o médico. Fui dormir tarde, às quatro da manhã continuava sem dormir e com dores. Chamei o marido para o pé de mim mas nem assim.

 

Às sete da manhã, senti a primeira contracção mas nem identifiquei como tal. Deitei-me. Outra contracção. O meu pensamento "queéissto?". Levantei-me, corri para a casa de banho e nada. Deitei-me. Fui ver as horas. E esperei pela próxima. Queria saber se ocorriam de cinco em cinco minutos. Confirmei. Ok, devia ser aquilo. Até que acabei por perder líquidos sem conseguir evitar. "Mijei-me", gritei. O marido acordou com a minha agitação. Disse-lhe, "não sei se é isto, mas presumo que seja, vou esperar mais um pouco". Ele preparou-se na sua forma mais lenta (acho que não acreditou de imediato que tinha chegado o dia) enquanto eu decidia se íamos ou não para o hospital. Liguei à minha mãe e expliquei-lhe. "Tenho uma dor assim e assado mas não sei se é isto". Ela não foi muito esclarecedora. Aliás, nada. Até que a dor passou a ser mais longa e com menos intervalo. Aceitei que tinha chegado a hora. Avisei o meu médico via sms e vai de arranjar tudo para ir para o hospital. 

 

Só saí de casa às 9 horas. O marido andava na rua a meter gasóleo, trocar de carro, beca beca já me estava a irritar. Toda eu já fazia respiração para controlar a dor. A minha mãe veio ter comigo a casa. Metemos tudo no carro, saltei para o banco de trás e só pedi ao senhor dos partos, "por favor, faz com que o meu marido não se engane no caminho". O caminho levou uma eternidade na minha cabeça. Apanhámos transito lento, fila para entrar para o hospital. As pessoas olhavam para mim e pensavam, "coitadinha". Estacionamos em frente à urgência de obstetrícia do Hospital de Santa Maria. Dirigi-me ao atendimento, "estou em trabalho de parto, o meu médico é o Dr. Nuno Clode". Preenchimento da papelada em velocidade devagar devagarinho beca beca aquela mulher estava a tentar enervar-me. Acreditam que a minha mãe não se lembrava da minha data de nascimento? Acreditam que a minha carteira abriu-se e caíram todos os documentos no chão? Mandaram-me entrar, uma médica veio logo ter comigo: "é a Cláudia? venha comigo". 

 

Ao examinarem-me detectaram que já tinha três dedos de dilatação. "Vamos já preparar a equipa... aguarde um pouco neste corredor". Caminhada para aqui, caminhada acolá, contracção aqui, contracção acolá. Cheguei a simular uns toques à maestro perante uma orquestra. Ainda ri. Estava bastante calma. Subi, deram-me uma roupa para vestir e meteram-me numa cama. Uma equipa de estagiários acompanhada por uma médica voltou a examinar-me. Estava a evoluir bem. Naturalmente a bolsa rebentou como um pequeno pacote de batatas.

 

A anestesista chegou, preparou a epidural com muito cuidado. Não doeu nadinha. Assim que aplicada senti um enorme alivio. Explicaram-me que ia durar duas horas para passar o efeito, assim que sentisse uma contracção para avisar para me darem outra dose. Lá esperei. O marido esteve comigo, falámos à parva, ainda rimos. Outra dose. Lá iam verificando se estava a fazer a dilatação. Carradas de médicos e enfermeiras. Foi rápido. Às três da tarde, fui para a sala de partos. Mandaram entrar o marido, ele sentou-se ao meu lado. Fizemos umas apostas sobre a hora de nascimento. Ele apostou que ia ser às 17h, eu apostei que ia ser às 16:40. Esperei pelos médicos enquanto fazia a respiração para ajudar nas dores. A dilatação estava feita, só faltava a tal "vontade para fazer cocó". Ia fazendo força para ajudar mas não sentia vontade, só as dores das contracções. Entretanto chega a equipa que ia fazer o parto e começam a examinar-me outra vez. A médica e o médico começam a discutir sobre a posição da cara do meu bebé. Mandaram-me fazer força mas nada. Não havia meio de sair. Desistiram, pediram para o meu marido sair porque iam tirar com fórceps (chamados ferros). Continuei calma, em poucos minutos o Gustavo saiu. Eram 16:45. Vi as pernas, a médica disse "ele já estava a chorar antes de sair, tem aqui um belo rapaz". Meteram-no no meu peito, eu olhei para ele e só disse "que fofinho" enquanto lhe dei umas festas no rosto. Levaram-no, fiquei a ser cosida. Farta de estar ali pedi para se despacharem e me darem um copo de agua. Não deram, disseram que não podia. Comecei a ficar mal disposta e a ver tudo turvo. Lá os convenci a darem-me uma gaze embebida em água e consegui recuperar minutos mais tarde da má disposição. Pronto. Fui levada para outro lugar enquanto esperei pelo Gustavo e pelo marido. Dei-lhe mama, foi nesse preciso momento que me emocionei e percebi: "sou mãe, este é o meu filho". E só não inundei aquele hospital de lágrimas de felicidade porque não me deram o tal copo de agua e estava desidratada. 

 

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