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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

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Banho escaldante | 2º dia

Eu e o Gustavo fomos os primeiros a acordar. Ele disse-me "bom dia mãe" e fomos fazer o pequeno-almoço. Fiz-lhe ovos mexidos, iogurte, banana e um pão de leite. Fiz ovos mexidos para mim e ele quis os meus também. É sempre assim, quer sempre aquilo que eu como. Mas ninguém pode mexer na comida dele. Também não gosto nada. Entretanto, o Zé e a Francisca acordaram. Depois de estarmos todos preparados fomos até ao mercado. A ideia era comprar peixe, mas por causa do mar agitado, os barcos não têm ido buscar peixe. Quando saem, eles costumam vender peixe no mar. Uma pena. Pelos vistos só podemos comprar peixe no supermercado ou no mercado da Vieira. Comprámos pão. Não entendo, não comemos pão quando estamos em Alenquer, mas estamos a comer pão agora que estamos de férias. Eu evito. Só comi um bocado. O Zé já comeu imenso, mas disse-me que em Alenquer não vai comer. Deve ser verdade. Depois fomos buscar os chapéus e o corta-vento. Mas desistimos de ir à praia por causa da ventania. No entanto, no final do passeio arrisquei ir para a praia um bocado antes de almoço. A Francisca gostou. O Gustavo também. Estava todo contente a brincar com a areia, o balde e a pá. Quando regressámos a casa, embalada pelo som do mar, a Francisca adormeceu. Eu aproveitei para ler o Cinco Esquinas, do Vargas Llosa enquanto empurrava o carrinho. O Zé disse que me fazia mal ler em andamento. Faz-me mal é não ler nada. E consegui, sem problemas nenhuns. Ele ia jogando à bola com o Gu, ia lendo enquanto empurrava o carrinho. Depois de almoço, da sesta dos miúdos e do Zé (onde aproveitei para ler metade do romance do Vargas Llosa), fomos para a praia fluvial de Vieira de Leiria. Assim que saímos de casa encontrámos a dona da casa e a sua boca tagarela. Era a miúda a chorar, era a mulher a falar. Era a miúda a berrar, eu acenar a dizer que sim, que sim, e a mulher continuava a falar. A miúda berrava mais alto e a mulher falava mais alto. A minha cabeça acabou por meter o som em modo off e surgiu um sorriso no meu rosto tipo já não sei mais o que fazer, ao menos sou simpática. A mulher explicou umas vinte vezes onde podíamos ir buscar o gás.  Quando a boca da mulher desapareceu, seguimos viagem. Fui comprar um carregador para o meu iPhone. Tive a triste ideia de levar o Gustavo comigo. Isto porque ele fez aqueles olhinhos fofinhos do Gato das Botas enquanto segurava um camião enorme. Comprei. Quando chegámos à praia, parecíamos os ciganos com tanta tralha atrás. Acho que temos de comprar um carrinho só para levar tralha, ou como antigamente, adquirir um burro. A praia estava muito boa. A água quente. Não era xixi. Andei a passear com a Francisca, tirei umas fotos para recordar, molhámos todos os pezinhos.  Foi tão bom. E regressar com aquela tralha toda outra vez para o carro? Foi tão mau. O Zé primeiro levou o carrinho com a Francisca. Eu levei as duas malas e o Gustavo ao colo. O Zé voltou a ir buscar os brinquedos todos, as toalhas, o corta-vento. O Gustavo decidiu voltar para trás sozinho, depois de eu ter chegado com ele ao carrinho da Francisca, quase morta de cansaço. A Francisca voltou a chorar porque odeia andar de carro e de estar no ovo. Odeia mesmo, não me digam que é uma fase. Não é nenhuma fase. É só para me lixar a cabeça. O Gustavo senta-se na cadeira do carro, mas tem sempre de trazer os brinquedos no colo. No caminho ele disse, "oh mana, não chores". Diz para ela não chorar, mas ele passa a vida a querer chorar sempre que algo não é como ele quer. Ainda não tenho cabelos brancos, acho impressionante. Chegámos a casa, fomos todos para o banho. Digamos que fui testar a água quente para irmos (ou não) comprar outra botija. Queimei a cabeça, a água quente é mesmo quente. Quase que abri a torneira de água fria toda. Ao menos não fomos buscar uma botija. O Gustavo despiu-se sozinho, enquanto fui buscar uma toalha, ele encheu as mãos de champô. As mãos e o chão. Respirar fundo. Enquanto fazia o jantar retribui a chamada da Marta. Ela queria contar-me que viu uma blogger super conhecida na loja da Adidas que é a coisa mais esquisita de magra e sem jeito nenhum apesar de gira. Depois viu outras bloggers que parecem mais giras nas fotos do que pessoalmente. Eu sei que foi uma chamada um bocado fútil, mas a futilidade também faz parte. Prefiro que me liguem a contar estas parvoíces do que se metam a dizer-me que morreu este ou aquele. Ah, o Miguel e a Daniela, leram o meu texto anterior e mandaram-me mensagem. Um disse que gostava que eu escrevesse um livro. O outro disse que gostou muito do texto. Um livro? Eu tenho juízo. Enquanto fazia a sopa, o Gustavo apareceu com o meu portátil na mão e deixou o portátil cair mesmo à minha frente. Eu gritei como se o mundo estivesse a acabar e dei-lhe uma palmada. Ele gritou como se o mundo estivesse a acabar. O Zé apareceu a perguntar o que se passava. Depois explicou-lhe que ele não podia mexer no portátil. Ele gritou como se o mundo estivesse a acabar. Eu só pensava na sorte das pessoas que não estão de férias no andar de cima. Acho que só estão pessoas no quarto andar. Sorte a deles. O portátil liga, caso contrário não estava a escrever este texto. O jantar correu bem. Falámos no facto de outros pais irem de férias uma semana e não levarem os filhos. Eu acho que eles têm muita sorte. Uma pessoa minha amiga pediu-me um livro emprestado para ler quando for de férias sem a filha. Eu acho graça, porque eu tenho dois e consigo ler. O Zé diz que eu consigo tudo. Eu fico toda inchada e esqueço-me do dinheiro que ficou em Alenquer. Pelo menos mais umas horas. Ou até voltar a passar o cartão. Vim outra vez para o quarto ver o décimo episódio da Guerra dos Tronos com o Gustavo. Ele adormeceu logo enquanto me mexia no cabelo. Tique que dura há dois anos. Eu entrei em histerismo com o episodio. Até parei a meio só para demorar mais a terminar. O final é perfeito, maravilhoso, lindo. O Zé veio ao quarto dizer-me que amanha ia fazer um papagaio para o Gustavo e que precisava de corda. Eu disse-lhe que o final da Guerra dos Tronos era lindo e que o Gustavo ia adorar o papagaio. Agora vou ler mais um bocado porque perdi o sono com o episodio, estou mesmo eufórica.

 

(fiquei parva porque três pessoas colocaram isto nos favoritos, e duas pessoas amigas mandaram-me sms, logo cinco pessoas leram o texto anterior. ah, também li o texto anterior ao Zé só para ele saber que pensei em divórcio e mudar um bocado de atitude comigo. talvez tenha mudado porque ele ofereceu-se para dormir com a Francisca outra vez.)

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