Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

As nossas férias | 1º dia

Fomos buscar o carro novo, metemos tudo na mala e seguimos viagem até Pedrogão. Uma viagem de uma hora transformou-se numa viagem de três horas com tantas paragens. A Francisca não gosta de estar no ovo muito tempo, chora imenso. Foi complicado dar biberão, arrotar e trocar a fralda dentro do carro. Não dava para sair devido ao calor. O Gustavo pediu água e para ver os bonecos. Nada de mais. Quando parámos perto da Marinha Grande deu para esticar as pernas e jogarmos um bocadinho à bola. Impressionante como a Francisca se cala de imediato. Depois só voltámos a parar em Pedrogão. Encontrámos a senhora de camisola verde e avental que nos recebeu de uma forma calorosa. Quis pegar a Francisca ao colo enquanto tirámos tudo do carro e nos instalámos. Contou-nos um bocadinho da sua história, dos problemas que tem nos ossos, nos anos em que imigrou em França, como construiu estas casas, nos netinhos que criou, nos filhos que preferem o Algarve. Esta senhora, como diz o Zé, deve ter estado presa durante anos e agora voltou a ver pessoas tal é a necessidade de falar. Não me importo, adoro ouvir histórias. Também pensei cá para comigo, queria tanto que os meus filhos tivessem uma avó assim. Nota-se que adora criança e até queria ficar com a Francisca para irmos às compras. Uma querida. A casa é porreira, tem dois quartos, uma cozinha equipada, e está a dois passos da praia. O tempo está bom, não fosse o vento, estaria perfeito. Depois de instalados, fomos ao supermercado. Só nesse momento é que o Zé contou que deixou o dinheiro em Alenquer. Contou mesmo na hora exacta para eu ficar chateada e começar logo a fazer contas de cabeça. E se eu não tivesse trazido dinheiro? E se tivesse a contar com ele? Felizmente sou uma mulher independente, mesmo com marido, prefiro pensar e contar comigo. Os quinze dias estão salvos. Entretanto, recebi um telefonema. Queriam saber se eu tinha comprado carro ou se tinha trazido um emprestado. Eu comprei. Chamaram-me cabra porque não contei antes. Eu não contei porque não quis contar. E pela primeira vez, quando não contei a ninguém, algo aconteceu na minha vida. Nem ligo muito a estas coisas, mas parece que resulta. E se olhar à minha volta, as outras pessoas são assim, só me contam depois. Eu é que sou de contar tudo antes. Mas acho que aprendi. A minha amiga perguntou-se se eu achava que ela me passava más energias, eu disse que não. Não penso. Mas ela também comprou carro e nunca me contou. Também não sou vingativa, mas acho engraçado exigirem uma coisa que depois não retribuem. No supermercado fiquei de burro preso, amuada. O facto do Zé se ter esquecido do dinheiro irritou-me. Até pensei em divorcio. Juro. Por uma ninharia, perguntam? Não, são várias coisas acumuladas. Eu também perdi a paciência. E a tolerância. Ele perguntou-se se queria que voltassem para ir buscar o dinheiro. Adoro chantagens emocionais. Obvio que não queria. Já em casa, ele foi grelhar a carne e eu fiquei com os miudos em casa. Há um quintal com churrasqueira nas traseiras da casa. Bem porreiro. Jantámos, eu quase que não comi nada porque não gosto de carne e porque não gosto que o Zé só me contes as coisas mesmo em cima da hora. As férias podiam ter começado melhor. Depois de jantar, levei o Gustavo a ver o mar. Estivemos sentados na areia. Ele viu uma gaivota e disse: vou-te apanhar. E riu-se. Agarrou num punhado de areia e atirou ao ar. Ficou com a cabeça cheia de areia. Eu não me importei. Nada. Nada. Nada. Os problemas graves são outros. Areia na cabeça é só areia na cabeça. Ele viu um homem ao longe e disse que era o pai. Mas não era. O pai estava em casa com a Francisca. Lavou a loiça e sentou-se no sofá. As camas por fazer. Eu não me importei. Voltámos para casa, demos banhos. Eu dei à Francisa, ele ao Gustavo. Pijamas. Eu fui para o quarto com o Gustavo ver o nono episódio da Guerra dos Tronos. Mas antes liguei ao Miguel. Ele estava a ver o décimo episódio. Contou-me algumas coisas. Não me importo com spoilers. Só não quero morrer de curiosidade. Adorei o nono episódio, adorei o sorriso da Sansa, adorei a batalha dos bastardos. Guardei o décimo episódio para hoje. Recebi uma mensagem do Miguel a dizer que fazia bem e fazia mal em guardar. Fiquei sem bateria. Ele esqueceu-se do dinheiro, eu esqueci-me do carregador. Tenho de ir comprar um à Praia da Vieira daqui a pouco. Li umas páginas do livro chamado O Livro, do Zoran. Era a única acordada, fui desligar a tv, agarrei em dois cobertores e fui dormir para a cama com o Gustavo. Já tinha saudades de dormir com ele. 

 

(não fiz edição de texto, escrevi conforme as palavras sairam da minha cabeça, é só para servir de registo, presumo que ninguém vá ler isto)

6 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D