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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

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A frase preferida das enfermeiras (e auxiliares) na hora do parto: "enquanto o fazias, não gritaste"

Existem histórias de partos *minhasnossasenhora*.

Antes do parto do Gustavo, ouvia histórias horríveis contadas por outras mães. Principalmente sobre o tratamento recebido pelas enfermeiras. Coisas como: “elas não gostam de nos ouvir gritar”, “disseram-me: enquanto o fazias não gritaste”, “uma enfermeira ficou ao meu lado a ler uma revista enquanto eu gritava de dores”. É de uma sensibilidade sem igual.

Estamos nove meses à espera do momento em que vamos conhecer o nosso filho. Com medo do parto. Com medo dos pontos. Com mudanças atrás de mudanças. No momento mais alto da gravidez algumas mulheres são tratadas como bonecos. Sem apoio dos profissionais que têm como função proteger as mulheres, essas que deviam ter maior sensibilidade porque são mulheres como nós. O desconhecido é assustador. Não deviam facilitar na diminuição do monstro criado na cabeça das mulheres?

Pessoalmente, não tenho razões de queixa. Fui bem tratada. No momento do parto uma enfermeira explicou-me como devia fazer força. Eu tentei, mas ela abanava a cabeça e repetia que eu não estava a saber fazer a força no sítio certo. Estava a fazer força no pescoço, devia ser na bacia. Eu tentei, mas não conseguia fazer o que ela pedia. Com a epidural não sentia a zona de baixo. Não sabia se estava ou não a fazer força. Ela insistia. Mas não foi brusca, foi compreensível. Desde a entrada no hospital até ao momento de saída fui bem tratada. Tirando um episódio.

Durante a noite o meu filho começou a chorar. Eu tentei dar-lhe comida mas ele não queria. Uma auxiliar farta daquele choro, entrou no quarto, abriu a goela do Gustavo e despejou uma boa quantidade de líquido não identificado que o fez calar de imediato. Na altura não percebi o que era. Nem ela explicou. Tratou de o calor e foi-se embora. Sem uma palavra. Mais tarde percebi que era o famoso Aero-M. Ela não devia questionar-me primeiro antes de fazer o que fez? Não foi este um gesto de intolerância? Segundo os especialistas, os bebés não choram sem motivos. Alguma coisa se passa, é necessário procurar o que os incomoda, o que precisam. Hoje, quando me lembro desse episódio sinto alguma raiva dessa auxiliar. Gostava de entrar na casa dela enquanto resmunga com o marido porque este não estendeu as cuecas e espetar-lhe com dois litros de Aero-M na tromba. Conseguem ser muito bestas nos nossos hospitais.

Era importante que mudassem o tratamento insensível que costumam dar às grávidas. Tornava aquele dia um bocadinho menos assustador. E só por acaso, a educação e o respeito não se pagam em doses individuais nem industriais.

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