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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

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Conto da aranha invisível

Uma formiga passeava pelas pernas da rapariga de cabelo negro. Ela não percebeu, atenta aos livros que pousavam na montra da livraria Conto e um Ponto. A formiga foi subindo pelas calças até que se instalou perto do bolso da saia castanha. Desorientada, a formiga começou a correr até ao umbigo da rapariga e mordeu-a. A rapariga gritou, atraindo a atenção do vendedor da livraria. “Menina, precisa de ajuda?”, perguntou preocupado. “Senti uma picada na barriga, acho que tenho uma aranha debaixo da roupa”. Quando ela acabou a frase e olhou para o rosto do vendedor viu o seu rosto vermelho de vergonha. “Estou com medo”, continuou a rapariga. “Pode usar a casa de banho da livraria para ver se tem algum bicho debaixo da sua roupa”. Ela aceitou, estava longe de casa e aflita por imaginar uma aranha a passear pelo seu corpo. Enquanto os humanos se preparam para descobrir a autora da mordida, a formiga tinha saltado como um super herói para o chão e já estava a comer um pedaço de pão embrulhado em papel prateado. A rapariga foi até à casa de banho, despiu a saia e aproximou-se do espelho à procura de marcas na barriga. A porta da casa de banho abriu-se, era o vendedor de livros todo suado com um sorriso do tamanho de uma melancia. “Deixe-me ajudá-la” e começou a apalpá-la. Os gritos da rapariga encheram a livraria. “Deixe-me, seu porco de merda”. “Tu gostas, queres mordidas pelo corpo”, disse ele enquanto a tentava morder no pescoço. Ela empurrava-o mas a força do homem ganhava a batalha corpo a corpo. Começou a chorar como uma música suave. Ele parou, simplesmente parou e virou-lhe as costas. Ela sentou-se no chão, encolheu as pernas com medo e vergonha. “Saia daqui, menina”. A rapariga limpou as lágrimas à saia pousada na sanita. “Pensava que tinha inventado a história da aranha para se aproximar de mim, todos os dias passa por aqui, fica horas a olhar a montra e nunca compra nada, pensei que tinha amor por mim”, disse ele envergonhado, ajeitando a camisa. “Não, caro senhor. Só não tenho dinheiro para comprar livros”. Rodou a chave que estava na porta fechada e saiu. A formiga olhou para cima e riu-se. As pessoas vêm aranhas onde não existem teias.

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