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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Eu, Cláudia Oliveira, juro que nunca mais te vou ligar por causa de dez minutos. Não te vou chatear por veres futebol. Nem te chatear sempre que me apetecer discutir. Vou calar-me para sempre quando me der uma vontade enorme de ter abraços teus e beijos no pescoço. Juro, com os dedos todos, fazer o jantar a horas e a cama da maneira que mais gostas, dividindo bem os lençóis e os cobertores. Vou ter cuidado em não arrumar a roupa no teu armário para viveres na confusão como gostas. Juro, não andar sempre a limpar o que sujas para também teres alguma coisa para fazer.  Nunca mais vou mexer no teu telemóvel à procura de alguma coisa das teclas à bateria, como quem diz, até ao tutano. Juro, vou ser uma boneca amorosa que nunca se irá desleixar e se possível acordar com um sorriso todos os dias para não dizeres que sou mal-humorada. Vou decorar todas as piadas para te contar quando estiveres infeliz com o resultado do Sporting. Vou ser uma senhora e nunca uma criança. Vou preparar surpresas dia sim dia sim para veres o quanto sou interessante e sei inventar coisas. Vou tentar dançar pela casa enquanto aspiro o chão para veres que nunca me aborreço. Juro, vou passear na rua e apresentar-te todas mulheres bonitas e falar-lhes de ti para deixares de te sentir sufocado com os meus ciúmes. Vou convidá-las a jantar connosco para ires convivendo e não enjoares do meu rosto. Talvez as deixe dormir no sofá. Mais tarde, vou fingir que não oiço o teu ressonar, se não conseguir dormir não te vou acordar porque o teu descanso é mais importante que qualquer outra coisa. Vou sentir o teu amor e nunca vou duvidar do que me dizes. Vou confiar cegamente, ignorando as minhas desconfianças. Vou deixar o teatro dramático e retirar as emoções da minha vida tornando-me num ser humano sem vontades. Não vou ter conversas desnecessárias. Apagarei todos os meus defeitos. Deixarei de te querer como quero. Deixarei de te pedir seja o que for, vou para a rua mendigar aos que passam. Serei aquilo que sempre sonhaste. Sereia no mar, Cláudia na terra. Sem celulite, penteada e feliz. Mas não me toques, posso desmontar. Não sou uma mulher, sou um robot como aquela da novela. A bateria está a acabar, tenho de ir. Não te esqueças que os robots são programados para pi pi pi pi…

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