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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Não chames mamã a outra, sff

A semana em que o Gu esteve com o pai correu lindamente. Deram-se muito bem. Estou muito contente. Para a semana ele vai para o berçário. Entretanto recebi a carta com o valor da mensalidade. Ia desmaiando. Pronto. Adeus futilidades desta vida. Segunda estaremos os três à porta do berçário. Estou curiosa e desejosa que ele se dê bem. Que seja bem cuidado. Só isso que peço. Que ele não sinta tanta diferença na atenção. Sei lá. É tão pequenino. Uma pessoa faz de tudo para ele estar bem, sentir-se protegido. Agora vai para uma sala com outros bebés, com caras desconhecidas, com as atenções mais do que divididas. Custa, não digo que não. Mas eu sou realista. Preciso de trabalhar, é necessário, tantos bebés passam por isto. Nada é um monstro. Não é. É só o coração mais pequeno, é só um nó no estômago que aos poucos se vai desfazer. Será uma educadora a vê-lo andar pela primeira vez? A ouvi-lo dizer a primeira palavra? Será que ele vai chamá-la de mamã? Será que ele vai conseguir adormecer sem nós por perto? Tantas dúvidas.

A frase preferida das enfermeiras (e auxiliares) na hora do parto: "enquanto o fazias, não gritaste"

Existem histórias de partos *minhasnossasenhora*.

Antes do parto do Gustavo, ouvia histórias horríveis contadas por outras mães. Principalmente sobre o tratamento recebido pelas enfermeiras. Coisas como: “elas não gostam de nos ouvir gritar”, “disseram-me: enquanto o fazias não gritaste”, “uma enfermeira ficou ao meu lado a ler uma revista enquanto eu gritava de dores”. É de uma sensibilidade sem igual.

Estamos nove meses à espera do momento em que vamos conhecer o nosso filho. Com medo do parto. Com medo dos pontos. Com mudanças atrás de mudanças. No momento mais alto da gravidez algumas mulheres são tratadas como bonecos. Sem apoio dos profissionais que têm como função proteger as mulheres, essas que deviam ter maior sensibilidade porque são mulheres como nós. O desconhecido é assustador. Não deviam facilitar na diminuição do monstro criado na cabeça das mulheres?

Pessoalmente, não tenho razões de queixa. Fui bem tratada. No momento do parto uma enfermeira explicou-me como devia fazer força. Eu tentei, mas ela abanava a cabeça e repetia que eu não estava a saber fazer a força no sítio certo. Estava a fazer força no pescoço, devia ser na bacia. Eu tentei, mas não conseguia fazer o que ela pedia. Com a epidural não sentia a zona de baixo. Não sabia se estava ou não a fazer força. Ela insistia. Mas não foi brusca, foi compreensível. Desde a entrada no hospital até ao momento de saída fui bem tratada. Tirando um episódio.

Durante a noite o meu filho começou a chorar. Eu tentei dar-lhe comida mas ele não queria. Uma auxiliar farta daquele choro, entrou no quarto, abriu a goela do Gustavo e despejou uma boa quantidade de líquido não identificado que o fez calar de imediato. Na altura não percebi o que era. Nem ela explicou. Tratou de o calor e foi-se embora. Sem uma palavra. Mais tarde percebi que era o famoso Aero-M. Ela não devia questionar-me primeiro antes de fazer o que fez? Não foi este um gesto de intolerância? Segundo os especialistas, os bebés não choram sem motivos. Alguma coisa se passa, é necessário procurar o que os incomoda, o que precisam. Hoje, quando me lembro desse episódio sinto alguma raiva dessa auxiliar. Gostava de entrar na casa dela enquanto resmunga com o marido porque este não estendeu as cuecas e espetar-lhe com dois litros de Aero-M na tromba. Conseguem ser muito bestas nos nossos hospitais.

Era importante que mudassem o tratamento insensível que costumam dar às grávidas. Tornava aquele dia um bocadinho menos assustador. E só por acaso, a educação e o respeito não se pagam em doses individuais nem industriais.

Muda tanta coisa

“Com o surgimento do primeiro bebé, além da desestruturação física e emocional, torna-se evidente a perda dos espaços de identificação: ausentamo-nos do trabalho, do estudo,deixamos de frequentar os espaços de lazer, ficamos submersas em uma rotina aflitiva, sempre à disposição das demandas do bebé; cada vez menos pessoas nos visitam e, sobretudo, temos a sensação de estar “perdendo o trem”, de ter ficado fora do mundo. A vida quotidiana é passada entre quatro paredes, pois sair com um bebé muito pequeno é quase sempre desanimador. Somos puérperas durante um período que dura, em minha opinião, muito mais do que os famosos quarenta dias.”

“A chegada de um primeiro filho produz nas mulheres uma perda de identidade semelhante, embora parir não seja exatamente como mudar de país: é mudar para outro planeta!”

Pequenos excertos do livro interessante que ando a ler sobre a maternidade. “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra” de Laura Gutman. O livro não é vendido em Portugal, só no Brasil. Facilmente é encontrado em e-book com uma pesquisa no Google. Vale muito a pena. Foi-me recomendado por uma pessoa entendida no assunto, formada em amamentação e aleitamento.

Quando te vejo, Setembro

Para mim o ano começa agora. Outra vez. Em Setembro. Está na hora de rever os planos de 2014 e concretizar os que faltam antes do final do ano. Ou começar novos. Setembro serve para isso. Pelo menos para mim. Gosto de mudanças. Normalmente nesse mês faço um novo corte de cabelo, renovo o guarda-roupa, mudo a decoração do quarto (as cortinas, a colcha, os livros, o que me lembrar). Escolho as fotografias que preciso imprimir em papel. Penso no IKEA até cansar. Receitas novas. Mudanças saudáveis. Desporto. Penso em várias possibilidades.

Na próxima semana a rotina da minha família vai voltar a mudar. Uma rotina que durará muito tempo. Berçário, trabalho, casa. Fim-de-semana. Modo repeat. Uma rotina necessária. Com os contratempos habituais da vida.

Estou entusiasmada. Motivada. Com mil coisas para fazer. Outras mil acumuladas. Se não der tempo, amanhã também é dia. Ando a tratar da agenda, anotações para não me esquecer de nada.

Setembro é o mês de fechar o livro e começar outro. Renovar-me como pessoa, pensar no que foi feito, no que me transformei. Um ano dedicado à maternidade. Sobretudo a ela. Um bocadinho de abandono da minha pessoa, mas sem reclamações. Este foi o melhor ano da minha vida. Por tantas razões. Posso afirmar com convicção, sem receios. Quero fazer do resto do ano a confirmação destas minhas palavras. Pelas minhas mãos. Quero aprender, melhorar e mais uma fez escolher o que fica e o que vai embora. O mesmo serve para as pessoas. A maior mudança é dentro de mim. O que vale a pena do que não presta. Definir prioridades, meter em acção todas as teorias.

Já comecei por separar a roupa que não serve ao Gustavo. Tanta. O meu pequeno tão pequeno. Aqueles bodys, aqueles sapatinhos, aqueles pijaminhas. Uma saudade que se instala. Inevitável. Deixa-me nostálgica. Quando o passado é bom, deixa nostalgia. Quando é mau, deixa vazio.

Vem aí Setembro.

Os banhos públicos, outra vez

E temos NIB. Joana, uma comentadora atenta deixou o NIB da Associação APELA para o qual as doações dos banhos públicos estão a ser feitas. Eu já fui confirmar o NIB (não vá o diabo tecê-las). Aqui fica para quem pretende ajudar e cooperar (com ou sem banho).

Obrigada Joana!

NIB para donativo: 0007.0369.00030460006.16

Morada: Rua Al Berto lote 18, loja A e B, 1900-918 Lisboa

Site da Associação APELA: www.apela.pt

A sortuda que sou por vos ter na minha vida

Há uns anos atrás eu queria ser mãe de uma menina. Inês seria o nome. Quem conhece este blog desde o inicio sabe. Quem conheceu os outros dois blogues antes deste sabe. Muito falei nela. Até escrevi um livro com uma personagem chamada Inês. Idealizava uma menina na minha vida. A vida mudou, eu mudei. A menina deu lugar a um menino. Quando conheci o pai do meu filho tive a certeza que ele seria o pai certo para os meus filhos. Por amá-lo, pela relação que fomos construindo. Uma pessoa sabe. Quando o conheci disse-lhe: "quando entrares na minha vida vais ficar". O coração não erra. O homem certo. Com A ideia de ter uma menina desvaneceu-se e criei um novo sonho, ter um filho. Fosse qual fosse o sexo. Queria ter um filho do homem da minha vida. As nossas conversas deram lugar a histórias do nosso futuro filho. Imaginadas, nossas. Ele vai dançar assim, ele vai dizer assim, ele isto e aquilo. Até que engravidei. Tudo correu bem. Tão bem que vivemos sempre com um pé atrás. Era assim? O dia do parto acabou por ser mais uma surpresa positiva. Não vamos falar do pós-parto. O meu foi um bocadinho complicado. Mas suportável. Tudo tão diferente do que me contavam. Melhor, confesso.

O Gustavo nasceu com 3,225kg e com vontade de sorrir. Tenho uma foto dele a sorrir no segundo dia de vida. "É a lua", diziam. A lua nunca mais saiu da vida dele. Não houve um único dia em que não o vi sorrir. Um único. Sem exageros. Desde esse dia até ao presente dia 20 passaram-se seis meses. O Gustavo já se senta, faz gracinhas, rejeita alguns beijos, pede outros, adora que lhe tire fotos, noto traços da sua personalidade, adora mãos, adora morder o pescoço do pai, adora banho, andar de popó, continua obcecado com os candeeiros lá de casa, vai para o colo de toda a gente sem problemas, gosta de sopa, papa e fruta. Quer estar sentado a maior parte das vezes. Manda-se para trás para o avô sentá-lo outra vez. Ri-se e volta a mandar-se. Não liga à chucha durante a noite. Ainda mama. Quando mama não está quieto um segundo. Puxa-me o cabelo, dá-me beliscões, esperneia ou fica pelas festas na cara. Não gosta de estar sozinho. Nem por um segundo. Já fica entretido, mas tem de estar alguém na mesma divisão da casa. Já se vira, está aqui está a gatinhar. As fraldas tamanho 3 estão a ficar pequenas. Detesta sapatos. Comprei alguns pares mas se os usou dois dias foi muito. O meu filho é um doce. Melhor do que alguma vez pensei. Ser mãe é melhor do que todos os clichés românticos.

Em 29 anos de vida nunca me tinha sentido assim. Completa. Tenho o que sempre sonhei para mim, construí uma família e sinto-me uma sortuda por ter estes dois homens na minha vida. O meu marido, o meu filho. E nos dias menos bons, tenho sempre o lado bom do meu lado.

Ufa...

Esta é a última semana que o Gu vai para a minha mãe. Depois fica com o pai. Dia um de Setembro entra para o berçário. Tantas mudanças na vida deste moço. 

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