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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Entre o calor e o frio

Nunca sei se o Gustavo tem calor ou frio a mais. Sei mais ou menos mas nunca sei ao certo. Se por um lado eu acho que ele tem sempre frio, o marido acha que ele tem sempre calor. Eu sou a friorenta, o Zé o calorento. O homem abre as janelas todas. Eu fecho. O homem tira a camisola porque não aguenta de calor, eu uso um robe. Ele destapa o Gustavo, eu tapo. Eu meto-lhe meias, ele tira. Eu meto-lhe casaco, ele tira. E vivemos assim. Acho que a frase que mais usei no primeiro mês de vida do Gustavo foi: "tapa o menino!". A frase que o Zé mais usou foi: "ele está com calor!". 

A primeira vez que a minha cara levou com um cinto e ficou inchada e negra

As bruxas pararam por um dia, o carro ficou arranjado. Fomos dar um passeio até ao Campera. Ainda não tinha aprendido a fechar o carrinho do Gu. Não fazia ideia. O marido explicou. Meteu o carro no carro. Eu meti o ovo com o Gustavo e lá fomos nós. Eu a desejar que o carro não tivesse mais uma porcaria qualquer. Cheguei ao parque do Campera inteira. Vai de tirar o carro do carro. Quando tiro o cinto do carro levo com o cinto na cara. Num instante fiquei com a cara inchada e negra. Foi maravilhoso. Eu só pensava, "estava a ser sorte a mais". Tiro o ovo, monto o carro e lá fomos nós. Primeira ida do Gu ao centro comercial. Nada de especial, eu sei, mas a primeira é sempre a primeira e eu gosto de registar estas coisas. Um dia o Campera pode fechar, ou o Gu pode ser dono do Campera e eu vou puder dizer, "filho, no dia 30 de Abril foste ao Campera e portaste-te muito bem, hoje és dono daquilo tudo". Nunca se sabe. Andei pelas lojas a passear de cara inchada. A tia, a minha irmã, foi connosco. Comprei um conjunto super cool verde, com flores. Pela primeira vez os complexos da minha barriga voaram, sinto-me livre para usar tudo (ou quase tudo). O Gu, mesmo depois de duas vacinas e um supositório estava muito animado. Foi a primeira vez que meti um supositório Foi a primeira vez que chorei porque alguém levou duas vacinas. Foi a primeira vez que meti gelo numa perna pequenina e gordinha. Só novidades. Comeu, fomos dar mais uma volta e adeus. Ainda vimos o marido pelo caminho, estava a trabalhar. Mostrei-lhe a cara, "ainda vão dizer que te bato". Para dizerem isso, vão ter de dizer que ele leva porrada todos os dias. Eterna piada. O marido é mulato. Chegar a cara, mudar fralda, encher o bebé de beijos e vai de adormecer. Eu aproveito para comer e começar a ver a terceira temporada da Guerra dos Tronos porque logo não vou estar em casa. Vai ser mais uma primeira vez. 

Não estou a a ver

Como é que eu sei que uma pessoa não gosta de mim e não estou a fazer figura de parva visto que até gosto dessa pessoa? Pergunto directamente? "Oi, desculpa, gostas de mim? Eu gosto de ti e só queria saber se posso continuar a gostar." Ya. Claro. Não pareço maluca nem nada com estas conversas. Mais um bocado e parece conversa de pitas da escola. Sim, não, talvez. Mete uma cruz na resposta. As pessoas são tão indirectas hoje em dia que uma pessoa nunca sabe. Nunca sabe. 

Sério

Alguém diga ao Marco que ele está com uma cor esquisita. Diz que ficou em terceiro numa competição de culturismo. A Vanessa Martins já nao precisa de lavar a roupa no tanque, essa barriga serve perfeitamente. Eu estou com uma cor branco glacê nas pernas mas antes branco do que cor de cocó. Mil vezes. 

Vergonha alheia

Quando fui ao café vi um homem espalhar-se ao comprido. Vi eu e meia Alenquer. O homem estava podre de bêbado. Um moça levantou-se e foi ajudá-lo. Ele levantou-se mas espalhou-se mais uns metros à frente. Duas vezes. O pessoal saiu do café e meteu-se a ver o espectáculo. Enquanto comentavam. Parecia o circo. O homem era o palhaço. Eu não fui ver. Eu fiquei a ver o público de braços cruzados a rir da figura do homem enquanto pensava que a sociedade está cada vez pior. Entretanto quando sai o homem estava deitado no chão a dormir. Ninguém fez nada, ninguém ligou para ninguém. Nem eu. Sinceramente não sei o que podia fazer. Queria fazer mas não sabia como ajudar. Como li algures ontem, "as pessoas alegrem não querem saber dos tristes da vida". Agora que escrevo isto até sinto vergonha de mim mesma. 

Os dias passam felizes

O dia ainda não acabou mas está a ser uma dia maravilhoso. Cheio de visitas. Um colega de trabalho veio visitar o Gu (e a mãe). Trouxe-me um miminho (ainda ninguém me tinha dado ovos de chocolate e amêndoas, ámen). Ofereceu um presente ao Gu, coisa mais fofa. Adoro receber visitas. Pareço uma metralhadora a falar, parece que não vejo humanos com mais de um metro de altura há séculos. Felizmente as coisas deram a volta. Tenho tido visitas nestas ultimas semanas. Todos os dias, para não morrer de tédio. Ámen. Ontem foi o padrinho e o primo. A mana esteve cá hoje, com a Ana. A Ana ainda não tinha visto o Gu. Só miúdos na esplanada. Pouco tempo mas soube tão bem. Agora vou enroscar-me ao filhote e ver mais uma episódio da Guerra dos Tronos enquanto espero a chegada do meu amor. 

As selfies e os mimikas

O pessoal quer tirar a foto do momento e depois dá porcaria. Olha, uma americana morreu ontem porque decidiu tirar uma selfie enquanto conduzia. Distraiu-se, foi contra outro carro, o carro dela incendiou-se e acabou em tragédia. Há pouco tempo um rapaz decidiu tirar uma foto com um comboio em andamento e levou uma patada na cabeça. Há noticia de um homem que tirou uma selfie em cima de um comboio, acabou por morrer electrocutado. Enfim. Há mais casos, não faltam casos. As pessoas estão a ficar malucas. Engana-se em diz que a internet só traz benefícios. As pessoas estão a ficar piradas de todo. Hoje quando entrei no facebook vi o post do Kapinha em que ele lança um desafio qualquer sobre o nome do filho dele, quem acertar ganha cinquenta euros patrocinado por uma empresa de aparelhos auditivos. Estou pasmada. Estamos cada vez mais parecidos com os macacos. 

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