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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Após a consulta desta tarde

O meu médico é engraçado. Diz piadas com um ar sério. Brinca com todas as teorias e esclarece todas as minhas dúvidas de uma forma hilariante, questiona-me, faz-me pensar nas palavras dos outros. Não é um amor em pessoa, e aposto que nunca se lembra de mim cada vez que apareço. Faz-me sempre as mesmas perguntas, talvez seja aquilo que mais me irrita nele. É esquecido para caraças. Às vezes, sinto-me a médica dele. Hoje, quando fui pesar-me, ele viu quilos a menos, tive de o chamar e dizer que ele estava a ver mal. Eu não sou boa a ver tracinhos das balanças (nem nada pequeno) mas sabia que não podia ter emagrecido a caminho da clínica. Ele dá-me confiança ao mesmo tempo que me assusta. Relativiza tudo, sossega-me mas prepara-me para a realidade. É daqueles médicos práticos, profissionais e sem mariquices.

 

No fim da meta, cheguei a algumas conclusões. A gravidez não é aquele monstro que algumas pessoas pintam. Não se fazem mil análises, nem passamos os dias no hospital. Claro, gravidez sem problemas. As outras não sei. Acho que pintam tudo sempre tão negativo que acabam por estragar o momento. Olhando para trás, parece que foi uma viagem bonita, sem problemas, e não custou assim tanto. O principal é ter as coisas prontas (malas do hospital) e não stressar. Tive a sorte de ter ao meu lado um companheiro de viagem perfeito, o que facilitou imenso esta viagem. Foi tudo tão natural. Passou a voar. 

 

Hoje fiz uma ecografia, acho que a última. O meu bebé vai ser gordinho, cresceu imenso. O dia do toque está quase quase quase a chegar. Máximo dos máximos tem de nascer até ao dia 10 de Março. Eu só penso nele. Nem sei se ria, se chore. 

Coisas que não gosto de ouvir enquanto grávida de 36 semanas

"O meu parto foi horrível". Parabéns. Guardem isso para contar aos vossos filhos. Eu não quero saber, não preciso de saber, é a última coisa que me apetece ouvir porque também estou quase a passar por essa experiência. Um escravo não anda a mostrar as costas aos próximos da fila. Foi a única comparação que arranjei.

"Lá se vai o teu sossego". Sério? A vida é assim tão motivadora para vocês? Querem um bebé programado e silencioso? Tipo robot? Se os adultos me tiram o sossego, o que posso dizer de um bebé que não sabe falar. Pois.

"Vais deixar de arranjar ou ter tempo para essas coisas (ler, vestir, coçar as costas)". Pronto, a minha vida vai acabar e nunca mais vou ser gente. Nem sorrir.

"Tens de andar muito, só te faz é bem". Tenho o caraças. As dores são minhas, ando se me apetecer. Antes da minha vida acabar posso descansar e não fazer nenhum? Obrigada. Eu conheço os benefícios da caminhada, mas também conheço os benefícios da minha almofada.

"Trabalhei até ao fim, tu não?". Olha, palminhas. Cada mulher tem os seus limites.

"Vais meter o teu filho num berçário? Apanha muitas doenças beca beca...devias contratar alguém para ficar com ele". Mais uma para acabar com a minha vida.

"O teu leite pode não ser bom." Sério? Acham mesmo que as grávidas não sabem essas coisas?

"Pede para darem os pontos bem apertados, para isso não ficar tudo relaxado". Chega! Não quero pensar em pontos.

Acho que é tudo. Permitem-me ser uma mulher positiva e cheia de boas energias?

das mudanças

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Enquanto rebolava pela rua fora, ao encontro da minha casa, entre paz e o sossego, comecei a ouvir uma enorme barulheira atrás de mim. Era um grupo de rapazes com 14-15 anos. Estavam aos gritos, a dizer tudo o que encontravam na rua em amarelo. Coisa parva. "Caixote do lixo amarelo, vidro amarelo, roda amarela, beca beca mala amarela". A mala era a minha. Passaram por mim e continuaram com a mesma parvoíce. Meteram-se com uma miúda que não lhes deu crédito. E lá foram eles. "carica amarela, sinal amarelo...". Quando se referiram à minha mala, estive para voltar-me para trás e perguntar qual era o problema mas achei que não havia necessidade. Também vou ter um filho, se calhar também vai fazer parvoíces deste género. E talvez seja aqui a verdadeira mudança da gravidez, a grande reviravolta. Parar para pensar, também tenho um filho.

Coisas das quais não senti/sinto saudades/falta durante a gravidez

A menstruação. Um clássico. Nenhuma mulher sente saudades.

 

Exercício. Sou preguiçosa e detesto fazer desporto. Preocupo-me com isso e costumo fazer algum exercício perto do verão mas dispenso. Já sei que depois da gravidez vou ter de voltar a fazer alguma a este corpo e sinceramente não tenho saudades.

 

Fumar. Quando saia costumava fumar. Não era fumadora viciada, nem fumava durante a semana. Se não saísse durante o fim de semana nem tocava no cigarro. Aos fins de semana, com o álcool puxava de um cigarro. Espero não regressar a este péssimo hábito (e mal cheiroso) após nove meses.

 

Sensação de "quero ser mãe mas ainda não é a melhor altura". Era um sonho, agora tornado realidade. Felizmente tudo está a correr bem, esta sensação é perfeita. A minha forma de ver a vida alterou-se, também me tornei mais egoísta e não sinto saudades nenhumas de facilitar tudo aos outros e esquecer-me de mim.

 

Fazer tudo sozinha. Demorei a passar algumas responsabilidades para o homem porque gosto de tratar de tudo, ao longo de alguns meses tive uma luta interior por não conseguir fazer tudo sozinha. É certo que aliviei o peso que tinha às costas e já aprendi que as coisas correm bem na mesma. Quero continuar assim, também é bom ser preguiçosa.

 

Algumas pessoas. Ao longo destes oito meses não fiz amizades e ainda acabei com algumas. Sem problemas. Dispenso pessoas que dizem coisas do tipo "...que pena estares grávida e não puderes sair comigo" ou me colocam de parte porque agora não sirvo.

 

Conduzir. Prefiro mil vezes que o homem conduza e eu não tenha de conduzir. Nunca gostei. É verdade que me sinto condicionada para ir para ali ou acolá, mas só depois dos sete, quase oito meses. Prefiro esperar que ele me leve. Acho que é só.

Coisas das quais senti/sinto saudades/falta durante a gravidez

Morro de saudades dos meus saltos altos. Posso? É verdade que só faz mal à saúde e beca beca mas só eu sei os olhares de gato das botas que eles me deitam cada vez que vou ao armário buscar as sabrinas.

 

Todos os meus vestidos e saias justas na zona da cintura. São dezenas e dezenas de peças colocadas de parte.

 

Conseguir estar de pé durante horas e horas sem dores.Passear seja por onde for e não andar em busca da casa de banho mais próxima.

 

Dançar, pular feita doida. Ok, ainda me abano mas pareço um barril e não vou para sítios onde o fumo é abundante, logo não vou para locais onde se pode dançar como fazia antes. Também faz bem à saúde o facto de não levar com fumo nas trombas mas sinto saudades de dançar até suar e ficar sem pernas.

 

Dormir de barriga para baixo. Já nem digo dormir uma noite inteira mas dormir para baixo é qualquer coisa de outro mundo. Beber um copo em dias de festa.

 

Um bom vinho, essencialmente tenho saudades de um copo de um bom vinho ao jantar. E de marisco acompanhar. Acho que é só.

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