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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Exposição da tua vida

Estive a dar uma vista de olhos nos textos de antigamente. Para além de ser mais fixe como gente que escreve, faço menos filtros. E fazer menos filtros é fixe, admite. Escrever sem pensar é bom, muito bom. A sensação de liberdade dá aquela genuidade que olhos postos em cima de nos tira. Pura da verdade. Entre um texto e outro, entre gargalhadas das minhas loucuras, aventuras amorosas, desventuras pirosas e dramáticas, li uma frase que ainda hoje guardo para mim e serve de conselho para muita gente. “Expões-te muito, ficas frágil”, pronunciada por uma amiga de outro blog, presentemente encerrado. Lembro-me que na altura foram palavras sábias para a minha mudança na forma de levar os blogues. E que talvez tenha acordado para a vida depois de ter ouvido aquele conselho. Ela tinha razão, continua a ter. A exposição faz de nós muito mais frágeis. Contar tudo, detalhes, vida amorosa. É importante saber guardar alguma coisa para nós. Proteger é o verbo, mesmo sem protecção. Tudo o que escrevemos pode ser interpretado de várias formas. Não contar deixa-nos confortáveis para dizer ou pensar “não sabes de tudo, não sabes o que dizes”. Deixa-os falar. Decidi escolher a hora certa para contar. E não custa nada guardar a felicidade. Partilhar é bom, não digo o contrário. Talvez por isso existam tantas pessoas a publicar fotos atrás de fotos, a criar blogues, a escrever no facebook. E quando reclamas da falta de privacidade, a culpa é somente tua porque não soubeste filtrar. E quando reclamas que se metem na tua vida, a culpa é somente tua porque deste alguma liberdade para a situação. Salvo algumas excepções, a culpa é unicamente tua. É de notar que os blogues com menos filtro são os que mais comentários estúpidos recebem. Assim como os blogues mais visitados são os que têm menos filtro. No Youtube acontece o mesmo.

 

Quem me conhece sabe o que escrevo sem escrever, filtrado. Os outros, deduzem. Tanto faz.

Caixas automaticamente parvas

As caixas automáticas dos supermercados adoram gozar com a minha cara. "Coloque o seu produto no saco". Eu coloquei. "Coloque o seu produto no saco". Porra, mas onde é que voces pensam que meti os produtos!? "Coloque o seu produto no saco". Eu já ouvi! Peço ajuda, a funcionária aproxima-se, a porcaria da mensagem desaparece. "Tem de esperar um bocadinho", diz a funcionária entendida no assunto, abanado a sua confiança já de costas para mim. "Coloque o seu produto no saco", "Coloque o seu produto no saco","Coloque o seu produto no saco". Sério. Desisto.

Olhar para um lado, olhar para o outro

Se quisesse tinha atropelado duas pitas. As pitas estavam a desfilar no meio da estrada, sem olharem para os carros. Topei-as ao longe, abrandei o carro.Fiquei a meio metro parada enquanto elas passavam tranquilas, indiferentes, estúpidas. Buzinei. As pitas desataram aos gritos como se ainda tivessem razão. Eu imitei-as com forte ironia e segui a bufar por não ter dado um par de estalos a cada uma. Engolir chapadas é tão mau como engolir palavras. E vá, há pitas que merecem. Assim como algumas mulheres e/ou homens.

Lata velha

Eu e o meu carro temos uma relação super complicada. Muito pior que qualquer relação que ja tive.

 

Ontem não quis pegar. Fez-me passar uma vergonha. Um homem, farto de me ouvir nas diversas tentativas de meter aquela lata velha a funcionar, saiu de casa e foi ajudar-me. Liguei ao namorado que logo disse "abre o capot". E segurar o capot? Não sabia. Entretanto disse-me para eu segurar não sei o quê, para fazer não sei o quantos. Uma linguagem de outro mundo. Transmiti o recado ao senhor que me estava a ajudar que foi directo ao assunto. "Veja lá agora...". Deu. E tirar o carro dali? Demorei metade da minha vida e gastei sete litros de suor. Foi horrível. Sou um zero à esquerda quando o assunto é lata velha de quatro rodas. Acho que deviam inventar um carro mais fácil. Inventam tanta coisa...

Curtas

De todos os conselhos "fim de namoro", o melhor e mais eficaz é: Não perseguir o ex nas redes sociais.

 

Não vou estar com mais explicações, tentem para ver. Tentem cortar o mal pela raiz e procurar um novo começo.

Línguas compridas

Quantos linguarudos tem o mundo? Muitos. Adoram falar na vida dos outros. Adoram meter o nariz onde não são chamados. Ouvem aqui, contam acolá. Ainda hoje recebi um telefonema de alguém que me contou que outra pessoa soube de uma coisa que supostamente não devia saber mas ficou a saber por outra pessoa que também não devia saber. Inacreditável os jogos psicológicos que fazem. “Contaram-me mas não digo quem foi, nem que te esfoles”. Yeah, bué forte tu. Sabes de um segredo quem em nada te diz respeito e ainda te gabas que o sabes. Para além disso, o segredo é meu! Yeah, bué parvo tu. Nem de bico calado és capaz de ficar à espera que te digam. As pessoas não sabem guardar segredos. A verdade é esta. Dou um minuto para saberem de algo e irem meter no cu de outra pessoa. Talvez um minuto seja muito para alguns. Interessa conta, interessa saber, yeahhhh bué reles.

Amor-próprio

Nem sempre o amor dos outros é suficiente. O amor-próprio chega. Começa ali, cresce e dá a perceber que sozinhos somos mais que com outros que não dão metade do que damos. O amor-próprio chega. O amor não é só dar e receber. É sentir força quando nos vemos ao espelho, quando paramos para pensar quando éramos pequeninos, nos braços das nossas mães. Crescemos juntos, mas agora estamos sozinhos. Meio sozinhos, por sermos grandes. O amor-próprio é estar sozinho mas saber que temos com quem contar. Passo a passo, seguir. Não deixar que ninguém nos diga o que temos de fazer. Não sentir culpa quando os erros são iguais em todo o lado, de outro lado, virado do avesso. Não deixes que te digam que estás errada, és errada, sentes errado. O amor-próprio é isso. É estar consciente do erro e admitir. Não curvar as costas perante os próprios erros. Quando éramos pequeninos os castigos era o tribunal dos nossos defeitos. Tivemos os que merecemos. Não mais. Uma dor perante a perda da infância é castigo suficiente para sabermos fazer o certo, mesmo errado. O amor-próprio é isso. Conhecer o passado, querer conhecer o futuro. Melhor, com melhor. E se tiveres as costas magoadas, as pernas esquecem-se do amor-próprio. E aí, nem amor, nem coisa nenhuma.

Digamos que comecei a escrever sobre uma coisa e acabo por escrever sobre outra

Estou sempre a reclamar da falta de simpatia dos outros mas existe outra coisa que me irrita igualmente, a simpatia em demasia. Ok, sou uma moça pouco satisfeita com os outros. Exigente para caraças. Com os outros, eu posso ser tudo. Já fui mais, friso.


Os extremamente simpáticos são irritantes. Enervam-me, fico com vontade de lhes bater. No sentido figurativo. A delicadeza tem um limite. Não passa do “obrigada, se faz favor, por favor, boa tarde e olá, tudo bem”. O que ultrapassa isto começa a soar a parvinho. Principalmente se for dito com “inho/inha” numa voz fininha. “Queres um cafezinho?”. Tem de ser dito a cantar. Caféziiiinhooo. Mais ou menos isto. “Acho que devias comer frutiiiinhaaaaa fresquiiiiinhaaaa”, já estamos a falar num exagero irritante ao quadrado. Gosto de ser bem atendida, mas dispenso este tipo de simpatia. Gosto de um atendimento despachado, sem “inhos”, direito ao assunto. Um sorriso, chega. Não preciso de mentiras “fica-lhe tãooooooooo bem”. Não gosto de bonecos desmanchados.


Fui ao talho. O homem era tão simpático que cheguei a pensar que se estava a fazer à febra, não fosse o facto de ele ser igual para mulheres com oitenta anos. Nunca mais lá voltei. Em vez dos dez minutos, demorei meia hora. E na verdade, fiquei na dúvida se ele era um tarado ou simplesmente simpaticozinho.


Talvez o problema seja meu, não sou sensível. Sou, dentro de casa, com o meu marido. Com os amigos, a ferros. Família, a ferros. Sou do tipo mulher-macho. Sou muito feminina em relação aos meus gostos pessoais, na hora de ser querida sou muito selectiva. Talvez, por isso, digam que tenho mau feitio. Mas porra, perto das mulheres que conheço, eu sou uma santa. Perto dos homens que conheço, eu sou uma santa. Talvez me ache melhor que os outros, mas juro que não tinha paciência para namorar com certas pessoas de tão brutas, bestas.


Na verdade, quanto mais conheço os outros, mais acho que tenho um excelente feitio. Mesmo sem usar “inho/inha” com tudo e todos. Sem lamber botas. Grito em média, uma vez por mês com duração de um minuto no máximo. Não chateio ninguém com mensagens nojentas. Não chamo nomes. Não me meto na vida de ninguém. Não humilho o meu marido à frente dos outros. Não grito com ninguém em público. Não discuto por causa da má condução dos outros. Não apito quando o carro da frente não avança a um sinal verde. Não trato mal um telefonista. Não faço barracas, não gosto de picar ninguém. Tenho os meus dias, mas no geral sou assim. Calminha. Ninguém diria. Sou exigente na hora de “vou lavar isto amanhã”. Se não lavam amanhã, fico aborrecida mas não entro em greve sexual. O meu marido prometeu lavar as janelas há quinze dias e eu não disse nada. Simplesmente, vou tirar o raio das janelas, começar a lavá-las à frente dele para ele dizer: “deixa que eu faço”. Aprendi vários truques ao longo da vida. Claro que existem outras coisas que me tiram do sério e quando acontece, não me seguro. Todos temos um ponto fraco.


Na verdade, sou tão egocêntrica que o texto sobre pessoas extremamente simpáticas acabou por descambar para a minha pessoa, como sou boa.


Obrigada por leres este blog, és muito fofinhaaaaaaaaaa/ooooooooooooo. O melhor leitor do mundo. O melhor comentador da blogoesfera. Tudo de bom.

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