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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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bom dia

Ando a acordar cedo. Tenho feito imensas coisas antes de entrar no emprego. Por acaso, nunca tenho sono e gosto deste meu novo hábito. Quando chegar o Inverno não prometo nada. As vantagens de começar o dia a tomar o pequeno almoço em casa tem muitas vantagens. Por exemplo, posso comer o que me apetecer. Não preciso de comer sempre o mesmo até enjoar. Esta vantagem já vale por tudo, não é verdade? Cá estou, a escrever o meu primeiro post a esta hora e a desejar a quem passou por aqui a esta hora um bom dia de trabalho.

Eram tão amigas

A Vida Madalena é culpada de tudo o que acontece de mal para as pessoas. Não dorme descansada sem comprimidos fortes para descansar a cabeça. Está de caganeira todos os dias, pensando no que podia ser feito de melhor. Limita-se a passar, a correr daqui para ali. Ninguém dá por ela, porque é discreta. Fina como papel, frágil como cristal. Normalmente, ligam-lhe aos fins-de-semana para ir sair mas a Vida Madalena tem mais que fazer do que andar bêbada, tem obrigações e precisa de receber dinheiro para se sustentar. Vida Madalena dá-se mal com os velhinhos mas adora crianças. Passa muitos dias na maternidade Lagartixa Popular a ajudar a dar à luz dezenas de crianças por dia.

 

Vida Madalena reencontrou a Morte Caramelo. Apertou-lhe a mão, não a olhou nos olhos. No passado, discutiram e não se dão muito bem. Vida Madalena acha a Morte Caramelo uma pessoa cobarde, má e arrogante. Morte Caramelo acha a Vida Madalena muito cruel e pouco justa. Eu, a autora deste texto, não sei qual delas tem razão, consigo entender cada uma à minha maneira. Para mim, nenhuma é perfeita mas as duas são importantes. Reconheço que a Vida Madalena não devia andar de nariz empinado, devia ter noção do seu valor quando se olha ao espelho todos os dias, parando de se lamentar daquilo que não tem. Já a Morte Caramelo devia deixar de pregar partidas de mau gosto, para além de continuar com uma vida pouco saudável. Morte Caramelo é artista, já desenhou a Vida Madalena por duas vezes. O primeiro quadro foi pintado a preto e banco e tem a Vida Madalena de costas, a olhar o mar. O segundo quadro foi feito com areia, tintas de todas as cores do Mundo e sangue de crianças. Foi pouco apreciada pelos críticos mas recebe muito apoio do Museu da Realidade, está exposta ao público todos os dias, vinte e quatro horas por dia.

 

Morte Caramelo e Vida Madalena já foram muito amigas no passado, dependiam uma da outra para tudo mas acabaram por se chatear. Vida Madalena queria mais do que a Morte Caramelo lhe conseguia dar, para além de lhe dar respostas tortas todos os dias sem qualquer pedido de desculpas. Lembro-me de se falar, entre cochichos no café, que a Vida apaixonou-se por um homem e nunca mais se lembrou da amiga. Morte, nessa altura, viajou pelo mundo e escreveu um livro intitulado de “Primeira Guerra Mundial” que foi um enorme sucesso Mundial. A Morte Caramelo é uma artista. Mais tarde, foi obrigada a escrever o segundo volume “Segunda Guerra Mundial” parte de uma trilogia inacabada. Foi um livro muito criticado por muito tempo. Tem catorze versões cinematográficas e venceu dezassete prémios importantes para a sétima arte, um dos quais a Roda da Fortuna em ouro. A sua amiga Vida Madalena nunca lhe deu os parabéns. Isso não se faz a uma amiga. Talvez por isso a Morte ande tão abatida. O terceiro volume vai ser lançado no próximo ano, logicamente com o título “Terceira Guerra Mundial”. Não pretendo comprar, sinceramente.

 

Ontem vi a Vida Madalena a apanhar um avião, tinha olheiras e estava descalça. A dor de consciência tem efeitos secundários danados. Acredito que um dia estas duas se vão sentar numa mesa redonda, beber chá de rosas brancas entre pedidos de desculpas e abraços. Na verdade, Vida Madalena tem a decisão nas mãos e ainda vai a tempo de recuperar tudo o que perdeu e de se redimir dos seus erros. Torço para que seja rápida.

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