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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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o Harry Potter deu cabo do dia das bruxas

Sobre o Dia das Bruxas, não tenho muitas histórias sobre o dia em causa mas podia contar um ou duas histórias com bruxas. Em relação aos espíritos e almas penadas também prefiro não falar porque não quero andar aí toda cagadinha. Quanto mais longe dessas conversas, melhor. Quanto era mais nova e tinha um grupo vasto de amigos mais novos, gostava dessas coisas. Eu e o grupo inventávamos tantas coisas. Cheguei a pular da casa de banho sem chegar à borda da cama com medo que estivesse alguém lá de baixo. Cheguei a espreitar antes de ir dormir. Cheguei a tremer com medo que alguém estivesse no meu quarto só para me apertar o pescoço. Depois apareceu o Harry Potter e deixei de ter medo.

as pessoas conseguem ser parvas, não esquecer

Não gosto de fardas. Qualquer tipo de fardas. Nem de vestir, nem de ver nos outros. Não acho bonito, não me seduz, não acho feio, é-me indiferente. E agora, podem ir a correr contar às vossas amiguinhas que sou super mega parva porque escrevi um texto sobre fardas e não devia sequer saber o que isso é porque namoro e coiso. Alguém me disse no outro dia que se estava a cagar para o que os outros pensam e que eu devia escrever o que me apetecesse. Mas eu não deixo de escrever certas coisas por causa do que dizem, deixo de escrever para me proteger dos outros. Lá vem o recado, quanto mais te expões a probabilidade de receberes comentários parvos é maior. Ou de andarem a falar de ti em vão também. Não é que tenha medo que falem de mim, vejam se me entendem, mesmo que não tivesse um blog iam falar porque eu sou magra e esticadinha. É uma questão de proteção, defesa. Não quero estar no sofá a pensar, “a culpa é minha… toda minha…”. Porque, por vezes, a culpa é nossa. A exposição tem o outro lado da moeda, é como abrir a porta da minha vida para qualquer um espreitar e na verdade não é isso que apetece. E as pessoas, porra que as pessoas são parvas, pensam que sabem tudo porque contamos que temos um camisola nova. Às vezes, apetece, partilhar, dizer tudo, contar tudo, falar, sentir empatia, merdices,… E se eu quisesse, criava um blog secreto ou colocava este blog em privado mas escrever para alguém é melhor. Muito melhor. Escrever para mim não me satisfaz. Nem perto mais ou menos. Aposto que um livro nunca aberto tem consigo os personagens todos a chorar, aposto que são as lágrimas das histórias que envelhecem um livro. Não quero ser um livro fechado, tenho coisas para contar.

Caderneta de Cromos- versão familiar

No fundo da rua existe uma casa onde vive a família Caderneta de Cromos dos Santos.

O chefe da família é o Sr. Sabe Tudo, sabe inglês-ucraniano, francês-espanhol e não deixa ninguém responder primeiro que ele quando está a dar o programa “Quem quer ser Milionário” na televisão. O Sr. Sabe Tudo é irritante, e sempre que vou jantar lá a casa tenho de ouvir a explicação sobre tudo e um bife. Como é feito o arroz, como são cultivadas as batatas da sopa e como é que o sol queima as pessoas na praia e merdas do género. Pessoas que sabem muito são chatas. Mais chatas são aquelas que não sabem nada. Eu sei.

A mãe Croma é despistada, sabe falar inglês correcto mas não acerta uma depois das seis e meia da tarde. Guarda tantas palavras dentro dela que já a vi quase a explodir saliva para cima dos pobres inocentes. É péssima a memorizar nomes, sabe o nome do filho mais novo e pouco mais.

Por falar em filho mais novo, é o Cromo Mais-Colorido-de-Todos. Tem sempre uma piada na ponta da língua e um alfinete na ponta dos dedos. Usa dois brincos em forma de rodas e um guiador na cabeça como chapéu. Só pensa em pedalar pela vida fora mas tem medo de sair do portão da quinta.

A filha mais nova é a Croma Lollipop. Usa tranças, tem duas bochechas coradas no rosto de tanto comer chupas-chupas. A timidez dá-lhe o tom mais baixo da Caderneta. Sempre ao seu lado está a irmã Cromo Cabelo-Fogo, sempre agarrada a uma mala rota e feia com muitos canudos e inteligência em caixas de tupperware.

No quarto dos fundos está o grupo das Cromas Olhares-Maléficos. Sempre que ouvem uma gargalhada têm comichão nas pernas e um problema no pescoço. São os Cromos mais tristes da Caderneta porque não gostam de ninguém. Gostar é o verbo mais próximo da felicidade.

A governanta da casa é a Croma Bochechas. Foi expulsa pelas Cromos Olhares-Maléficos por ser mais inteligente que elas. Tem as bochechas descaídas porque nunca treinou a gargalhada. O Cromo Mais-Colorido-de-Todos já tentou animar-lhe os dias mas ela só entende aquilo que diz, não escuta o que dizem os outros.

No sótão vivem dois Cromos Ratos. Um ratinho com as pernas mais compridas que o corpo. Um rato invisível com óculos. São amigos mas nunca conversam. Estão sempre com sono. Dão sono. Fazem sono. Na cave viva a Cromo Energias-Zero. Ninguém a visita porque está sempre de saída para ir apanhar o comboio.

O jardim é cuidado por duas Cromas moças, a Picasso e a Não-Percebi. Visitam a quinta da família Caderneta de Cromos três vezes por semana. Uma ri, a outra sorri. Uma tem dor nas costas, a outra nos rins. São muito amigas do Cromo Mais-Colorido-de-Todos porque conhecem a importância de deixar a tristeza noutro lugar e ser feliz.

Ser feliz é rir com alguém. Que lugar melhor que uma casa cheia de Cromos?

pedaço de (des)amor

Via-te como uma jóia rara acabada de ser apanhada por mim. Um pedaço de céu que me iria dar uma vida bela, uma bela vida, um belo sorriso. Deste até ao dia que decidiste dizer-me palavras com ponta de aço. Um engano para o meu pequeno coração ainda cicatrizado por mãos alheias. Foi um vai e não volta. Estar apaixonada não faz de mim burra para querer passar por tudo outra vez. Desculpa lá, mas foste longe de mais. Devia ter percebido que depois da primeira frase vinha uma história.

"só vesti isto uma vez"

“Tenho esta camisola há seis anos e só usei uma vez”, cada vez que me dizem isto fico com cara de nhó. Primeiro, como é que alguém seis anos depois ainda tem o mesmo corpinho? Segundo, como é que alguém ainda guarda uma camisola seis anos? Terceiro, como é que alguém compra uma peça e só a usa uma vez em seis anos? Eu sei, porque normalmente, sou uma pessoa que utiliza uma expressão do tipo. Não tenho o mesmo corpo que há seis anos. Ora, há seis anos tinha 21/22 anos (estou quase a fazer ano, tá?) e pesava uns cinco garrafões de cinco litros. Num dia de muito vento conseguia voar. Comprava roupa tamanho “S” porque nunca me lembrei de ir à Zara Kids. Logo, seis anos depois, peso mais dois garrafões e o tamanho “S” aperta ou fica bem. Guardo alguma roupa durante seis anos porque sou maricas com a roupa. Sei que esta coisa da moda é como os namorados estúpidos, acabamos por reatar mesmo que não combine connosco. Quanto ao terceiro ponto, as pessoas que compram muita roupa ou muita qualquer-outra-coisa têm tendência a perder a memória. Só têm olhos para as peças novas e vão deixando as outras de lado. Fazem isso com a roupa, com os sapatos, com tudo. É natural que seis anos depois a peça ainda esteja no nosso guarda-roupa e nos salve de um dia menos feliz, leia-se, com menos dinheiro.

dar o exemplo

Não é no exemplo que está a melhor educação?

Um dia, durante a infância, acabamos por descobrimos que a mãe do nosso melhor amigo é mais fixe que a nossa. Isso acontece, normalmente, quando o nosso melhor amigo pode sair e tem o melhor carro e nós ainda andamos a espremer borbulhas. Depois desse dia a nossa vida fica um bocado mais triste mas a esperança de termos sido trocados na maternidade começa a ganhar formato. Na verdade, sempre que abrimos uma gaveta damos por nós a pensar que vamos encontrar provas irrefutáveis da nossa verdadeira família. A esperança é a última a morrer e a nossa vontade de chegar de madrugada também. Os anos vão passando lentamente e ficamos cada vez mais parecidos fisicamente com os nossos pais, não há volta a dar. Somos filhos da mãe e do pai. Daquela mãe e daquele pai. E só mais tarde, reparamos como somos injustos em exigir que nos tirem a educação, a moralidade, as regras. É preciso a mão de mãe ou pai a ensinar como enfrentar a vida de cabeça erguida e com dignidade. De forma a passarmos pelos outros e não desejarmos ser alguém que não somos.

Doze livros para ler em 2013

Doze livros para ler em 2013

“Os Miseráveis” de Victor Hugo.

“Dom Quixote” de Cervantes.

“Lolita” de Vladimir Nabokov

“Os Irmãos Karamazov” de Fyodor Dostoevsky

“Viver para Contá-la” de Gabriel Garcia Marquez

“Madame Bovary” de Flaubert

“David Cooperfield” de Chalres Dickens

“Conversa na Catedral” de Mario Vargas Llosa

“Amor” de Toni Morrison

“O Ano da Morte de Ricardo Reis” de Saramago

“A Mãe” de Gorki

“Pela estrada Fora” de Jack Kerouac

Fechar as pessoas

Este fim-de-semana encontrei uma rapariga que já não via há muitos anos. “Oláaaaaaa…”, disse depois de perceber que me tinha reconhecido e me vinha falar. Ela foi super mega simpática. Sabia o meu nome. Eu também sabia o nome dela mas juro que não sabia de onde a conhecia. Ela falou na filha e eu fingi que me lembrava sim senhora. Estivemos alguns minutos na conversa, já estávamos a combinar beber um café e tudo. E eu ali, aflita para saber onde é que a tinha conhecido e ficado tãoooooooo amiga dela. Só percebi quando ela me mostrou o meu nome do contato de telemóvel. Ali estava a minha alcunha na altura. E pronto, sim somos amigas e não a odiava. Só acho que o meu cérebro tem a brilhante ideia de fechar as pessoas numa cave quando elas fazem parte do passado.

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Sinto cada vez mais necessidade em saber falar inglês. Um dia, recentemente, deu-me o click que precisava. Foi num vídeo de uma professora de inglês, a querida Tatiana Feltrin. Ela conseguiu transmitir-me a necessidade do inglês nos tempos que correm. A forma como ela fala é realmente contagiante. Pena que muita gente não entenda a importância de falar inglês. A globalização. Não é que não soubesse, mas aquelas palavras fizeram luz cá dentro e decidi, é agora! E foi.

 

No dia seguinte procurei na internet por cursos, enviei os documentos necessários e uma semana depois estava a ser chamada para integrar o curso. Comecei ontem. Duas coisas: não estou tão mal como pensava. Entendo tudo o que a professora fala. Fiz um teste de avaliação e surpresa das surpresas, entendi tudo o que estava escrito. Não sei o verdadeiro motivo de isto acontecer porque nunca treinei a língua, excepto a ver séries sem legendas, ver traduções de músicas para perceber o significado da música que gostava, a ver vídeos no youtube ou a ler blogs. Ajuda. Mais uma ponto positivo para a blogoesfera, que me ensina como se escreve peças de vestuário em inglês, por exemplo.

 

Tenho uma enorme paixão por literatura e sinto necessidade de ler em inglês. Os preços dos livros são mais baratos, não tenho de esperar o lançamento em português e porque ler em inglês é não ter de passar pelo processo de tradução que algumas vezes piora as obras dos escritores.  Ou tira a sua essência. Nada contra, valorizo imenso o trabalho dos tradutores, sem eles não havia comunicação sem os povos.

 

Para além disso, sinto ânsia em aprender. Estar numa escola, dedicar parte do meu tempo a aprender alguma coisa e quero fazer algo nesse sentido. Ontem, a professora disse que caso o cérebro não trabalhe, os neurónios vão morrendo porque deixam de fazer falta. Deus me livre! Todos os dias tento aprender alguma coisa, sozinha ou com os outros. É tão bom.

 

Ouvi histórias de algumas pessoas com 50/60 anos que foram aprender inglês porque querem simplesmente aprender. Acho fantástico. É uma pena que pessoas com condições para estudar não aproveitem. É uma pena que este país não dê condições necessárias para as pessoas continuarem os seus estudos. É uma pena que muita gente ande a brincar aos copos durante a sua formação.  

 

Quando queremos muito uma coisa temos de fazer tudo para que se concretize. Hoje um pequeno passo, amanhã quem sabe esse passo não seja necessário para caminhar. Fazer alguma coisa por nós mesmos é a melhor que prenda que podemos receber. Let´s go!

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