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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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numa hora e meia o que uma mulher (eu) consegue fazer

Em uma hora e meia, ela consegue, tirar o jantar do congelador, tirar a roupa da máquina e entender, meter os tapetes brancos a lavar, arrumar a roupa que apanhou, lavar a casa de banho com Cif e desinfectante, arrumar a maquilhagem e lavar tudo,lavar os espelhos, fazer a cama de lavado, limpar o pó do quarto, lavar o chão da casa de banho e do quarto,espreitar o twitter, escrever no blogue, conversar com um amigo no chat do facebook sobre futebol, ler um texto noutro blogue e dar uma vista de olhos no facebook da Elite que já se mudou para Luanda. Sou grande.

o teu bilhete de amor ( continuação...)

o teu bilhete de amor (continuação)
 
Ele comprava gelados de caramelo, colocava duas bolas num prato e trazia juntamente com uma colher para o sofá onde nos deliciávamos. Líamos livros lado a lado, eu preferia os clássicos, ele gostava mais das novidades. Trocávamos impressões sobre as histórias que nos envolviam naquele momento. “Adoro a tua paixão pelos livros”, dizia. Não sei como outra pessoa pode adorar a paixão de outra pessoa, ele adorava. É bom quando nos admiram as preferências, e não colocam nenhum entrave. Já tinha tido problemas com a minha paixão pelos livros antes de namorar com ele. Guerras sem importância mas preocupantes, se teimasse em ceder como estava sempre acontecer. “Gastas muito com os livros, devias poupar”, “não sei como gostas de ler, os escritores são uns oportunistas, fazem tudo por dinheiro”, “os livros não ensinam nada, deixam-te na Lua”. Comecei a calar-me depois de perceber que não se pode ensinar algo a quem não quer aprender. "Sabes Inês, pensas muito".

 

(continua)

esta é a vida de algumas pitas e de outras menos pitas mas que podiam ser pitas

Ai que horror! A base deixa-me a cara horrível, não faz milagres. Já tentei meter na cara sete camadas, mas fico sempre com o pescoço branco. Não entendo. Não posso usar camisas brancas porque pensam que tenho sarro. Ai que horror! Meninas, a minha vida está um desastre porque a base não sai quando lavo a cara e quando coço as borbulhas fico com base debaixo das unhas. Ai que horror! Preciso de um plano B para ir à escola, nos corredores oiço risinhos, "olha aquela, meteu a cabeça no solário e deixou o corpo em casa". Não entendem que o problema é a base. Não tenho culpa. É a base.

...

Amélia não existiu mas podia ter existido. Aliás, teria sido eu na minha vida passada. Amélia encanta pela forma lutadora, pela heroína, pela busca desenfreada de alguma coisa. O livro tem partes chatas, cruéis e lindas. Este livro merece ser lido, porque Julia Navarro criou uma personagem maravilhosa. Uma mulher forte, corajosa. Com defeitos e qualidades. Tenho outro livro de Julia Navarro na estante mas para já vou procurar um registo bem diferente. Passei agradaveis momentos com este livro, não entendo porque demorei tanto a acabá-lo. Sei que fui molenga, que me meti noutras coisas, porque me meto sempre em coisas minhas para passar o tempo. Um livro de 1083 páginas não é fácil. "Diz-me Quem Sou" é o título.

quando uma palavra anda a chatear

A palavra confiança podia desaparecer. É a causadora de muitos problemas, a destruidora. Se não existisse a tal confiança, o quê que iam dizer? "Tens de ter mais segurança em ti?", "Não podes ser curiosa?". Chega! Nós, mulheres, só desconfiamos quando algo nos cheira a esturro. E vocês, meninos, sabem que não são os melhores a inspirar confiança, principalmente com as vossas meias palavras, os vossos "sim, sim" secos e mal dados. Ter confiança é um trabalho árduo que pode ser destruído em segundos. Caraças para a palavra, pá.

vem aquela dizer-me que posso ter uma corpo mais ou menos porque é normal

Não preciso que a Jennifer Lopez venha exibir as gorduras para eu sentir que posso ter, posso ser pouco perfeita, ter um corpo mais ou menos. Não preciso que ela venha, de lá, do alto dos seus videoclips dizer, "meninas, sou a JLo, a estrela que afinal também tem celulite no rabo". Jennifer querida, só assim naquela, vou ser muito sincera contigo. Já que é para ter celulite nas pernas e no rabo ao menos que haja a mesma quantidade de dinheiro nas nossas contas para pudermos ir fazer os tratamentos que tu fazes. Já que é para ser pouco perfeita ao menos que haja dinheiro para ir ás compras sempre que nos sentirmos umas ratas à frente do espelho. Estás a ver a diferença? Pronto, é isso.

os abraços

Tinha dificuldade em dar abraços até ao dia que o conheci. Afectos enchiam-me de distância. Ele percebeu muito rápido e foi combatendo esse meu problema com abraços a toda a hora. “Abraça-me”, “abraça-me”. O abraço é o caminho mais rápido para guardar o cheiro do corpo. Percebi isso muito rápido e comecei a levar comigo o cheiro dele para todo o lado. É a melhor forma de trazer connosco a pessoa que amamos. A principal recordação que não queremos que se apague, por ser intransmissível e único.

acabou a papa doce

Fartinha desta merda da crise. Por causa da crise lá vamos ficar sem a Feira da Ascensão. A única merda de jeito que Alenquer tem para além de meia dúzia de pessoas. Estou desgostosa, já estava a imaginar passear de tshirt vermelha e ténis cagados. Andar com o copo de imperial na mão enquanto as conto mentalmente, “não podes passar das dez”, “não vais discutir à parva com ninguém”, “vais rever as pessoas e dizer muitos olás”. Nada, este ano não há gritos “és tu que ma puxas”, nem feridos na arena. Detesto a crise. O dinheiro acaba por ser gasto,né? Mas em merdas para eles e o povo que se lixe, né?

não podes obrigar ninguém a amar-te

No quinto ano encontrei um professor de EVT que me despedaçou o coração mais pequeno. Ainda pesava meio quilo e já percebia que o amor era uma cena tramada, que não podes obrigar ninguém a gostar de nós. Não podemos, pois não podemos. Mas quando ouvimos, ou não ouvimos, “não gosto de ti” a vontade é simplesmente obrigar a outra pessoa a gostar de nós. Mas porquê? Que fizemos nós de mal? Não se pensa, “ok, obrigada pela sinceridade, deixa-me lá ir procurar alguém jeitoso para meter na cama e amar até à velhice”. Não pensamos, porque a rejeição é dolorosa. A rejeição chega ao ego, dá-lhe um murro assente nos queixos e deixa-o a jorrar sangue. O meu professor de EVT tinha o cabelo comprido, preso num rabo de cavalo. Oh Pitéu, lembraste dele? Cheirava bem, era tão simpático, tão bom professor. Tão bom professor, repito. Bom professor. Ok, chega. No quinto ano já disputava atenções, “porra, tiraram-me o pai, não me vão tirar este”. Todos se apaixonam por professores, né? É a segunda figura paterna que a malta tem. É aquela coisa das raparigas gostam mais do pai, e os rapazes da mãe. Aposto que os rapazes sonham com as professoras. Aquele professor de EVT, o Valter, “posso tratá-lo por tu?”, acabou por ser a pista do resto de tudo. Sem saber, acabou por me ensinar muito mais do que estava no plano de educação. Ensinou-me que o amor pode começar do nada, não ser nada ou nunca vir a ser nada. Mas quando acontece a história tem de ser vivida, é essa a oportunidade que a vida te dá de seres feliz.

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