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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Pouco penso nos saldos, tenho um frigorífico que substitui um armário

Antes, era tão bom, tão giro. Podia receber o ordenado e estoirá-lo todo nas lojas de roupa e depois ainda ia à perfumaria e comprava um perfume, uma base e no supermercado acrescentava uns champôs, cremes para isto para aquilo. Seis a oito livros por mês. Quatro pares de sapatos. Vestidos, montes de vestidos. Chegava a casa cheia de sacos. “Onde é que tu vais meter tanta coisa?”. Arranjava mais um buraco no armário e deitava-me feliz. “Sou tão fixe, tenho tantas coisas novas”. Antes, todo o ano, sem esperar pelos saldos.

Agora é tão bom, tão giro. Chego a casa e tenho a despesa cheia de porcarias para comer, de legumes e as coisas saudáveis. Sumos, não faltam sumos. Tenho uma cama quentinha cheia de cobertores. Continuo a ter champôs e perfumes mas não faço muita questão de comprar outro sem terminar o que já tenho. E roupa, reinvento, reinvento e costumo torcer o nariz a tudo o que há de novo nas lojas. Se falarmos de maquilhagem já é outra coisa, quero tudo. Estamos nos saldos mas não faço questão de comprar nada. Chega bem o que recebi dali e de acolá. Os sacos chegam a casa com vinho, com chocolates, pão, detergente e fruta. Deito-me cansada. “Sou tão fixe, amanhã invento mais uma receita”. Agora, todo o ano, mesmo em saldos.

Pouco penso nos saldos, tenho um frigorífico que substitui um armário.

o meu Natal

Mais do que às prendas, dou mais importância à família. É verdade, gosto imenso de receber prendas mas este foi um ano de transformação e dei por mim a querer surpreender as minhas pessoas queridas e fofas do que propriamente pensar no que ia ou não receber. Queria uma ou duas coisas mas o que viesse seria bem vindo. Adorei o meu Natal. Por tudo. Foi especial e diferente de todos os outros anos. Mascarei-me de Pai Natal e consegui enganar a minha sobrinha. Quando despi o fato e fingi entrar em casa pela primeira vez a Eva saiu-se com esta, "Oh tia, teve cá o Natal". Mais tarde quando descobriu os óculos esquecidos do Pai Natal, "O Natal vai voltar, deixou os óculos...". Foi lindo.

a palavra do ano

Ângela. Nome este que jamais darei a uma filha, a uma cadela ou a uma tartaruga. Nome este que será riscado do meu dicionário. Se um dia alguém me apresentar uma Ângela, farei questão de dizer que não estou interessada em conhecer e que tenho de ir apanhar o autocarro. Prefiro mil vezes o nome da filha da Floribela (que nem sei escrever e também não sei se prefiro mas quero mostrar que não gosto nada do nome Ângela). Ângela. Ângela. E de anja(la) não tem nada.

querem lá ver... mau...

Podia pedir umas cenas ao Pai Natal mas ele também está em crise. Eu, Cláudia Oliveira, respeito qualquer peluche que esteja em crise. O quê? O Pai Natal não é um peluche? Mau... Querem ver que ando a dormir com o Pai Natal e o namorado não me avisou? Mas sério? O Pai Natal existe e dá presentes ao pessoal? Sendo assim, aproveito para dizer que venha a prenda que vier que venha inteira. Ho ho ho...

...

Talvez os problemas que tu tenhas façam parte da tua vida. Sim, talvez a dor que sentes tenha a ver com as histórias que irás contar aos amigos na esplanada entre lágrimas. Ou então não. Tem, tem tudo a ver. Olha para ti sempre feliz e sossegada no sofá. Tão giro e quentinho e depois? O que fizeste tu para viver? Sim, talvez um dia tenhas saudades das dificuldades ou dos problemas.

...

Quando não há o 37, compra-se o 38. É assim o pensamento da mulher que tem medo de ficar descalça."Isto serve e se não servir, troca-se". Depois é só calçar mais um par de meias e tentar equilibrar o pé numa descida qualquer. Caso contrário, queda. Queda livre, com direito a rabo contra o chão frio do terceiro andar. Não preciso de explicar o resto, pois não?

não fiques chocado com este post. sei que é Natal mas parece que muita gente se esqueceu.

Já comprei as prendas todas de Natal. Este ano não vou andar metida em filas de gente, em centros comerciais apinhados com gente maluca. Não vou fazer embrulhos a correr ou tudo umas horas antes. Este ano sou uma mulher organizada e supéadulta. E sem workshops. É tudo produto da minha maturidade e experiência. O Natal não devia ser o Carnaval disfarçado, onde a confusão e adrenalina se misturam. Reparem no menino Jesus deitado nas palhas a fazer cocó na fralda, sem se preocupar com as prendas dos Reis Magos. O menino Jesus não faz listas, não escreve cartas ao Pai Natal. O menino Jesus está a fazer o seu cocó e a pensar "se eu criasse o Pai Natal largavam-me da mão?"

...

O rapaz chega sempre atrasado excepto nos dias de jogo. É lindo o encanto que ele tem pelo desporto e quase nenhum pela namorada que passa os dias à espera para ir fazer as compras de Natal. Nos dias do futebol não pode, nos outros chega tarde. Um dia o futebol acaba e as mulheres serão muito mais felizes. Que diga esta moça que eu conheço quase como uma mãe conhece a filha.

Radiohead, canta-me ao ouvido "High and Dry"

Perdi o juizo ao som dos Radiohead, com quinze anos. Fugi de casa de madrugada para ir comer bolachas para o telhado. Subi paredes e saltei muros. Brinquei como os rapazes e com eles. Dancei ao som de um rádio a pilhas. Chorei em cima de pedras vazias e frias ao lado do meu melhor amigo. Criei histórias e contos de fadas longe dos problemas de adulto. Sonhei alto e desisti de tudo. Na altura sentia-me dona do mundo e o papel principal de uma história. Ainda hoje sinto que vivo numa história mas fiquei com o papel secundário. Nada a fazer. O palco nunca foi o meu lugar. Regressando aos Radiohead, foi um rapaz que me mostrou e não gostei mais deles por isso. Meteu o cd a tocar no quarto e fez-me acreditar, por uns tempos, que tinha melhor gosto musical que a maioria dos rapazes da minha idade. Não gostei mais dele por isso mas senti-me mais adulta por me dar com alguém tão awesome. Os Radiohead não são os meus preferidos mas lembram-me uma das melhores fases da minha vida. Simplesmente, sempre que os oiço, tenho vontade de voltar à floresta mágica, partilhar os beijos que não dei, discutir sem querer a razão e tropeçar para cair na relva molhada para depois a minha mãe ralhar com a quantidade de roupa que tem para lavar.

 

da música High and Dry
"Don't leave me high, don't leave me dry
Don't leave me high, don't leave me dry"
"It's the best thing that you ever had,
The best thing you ever had has gone away"

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