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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Nem só de trabalho vive uma pessoa

Desde que temos um frigorifico na empresa a minha vida melhorou significativamente. As idas ao café para comprar o pequeno-almoço acabaram, o mealheiro enche com as moedas que poupo, e tenho muitas mais opções. São iogurtes, leite, manteiga, fiambre, queijo, queijadas, capuccino, fruta, sumo de laranja. É uma festa versão piquenique todas as manhãs. “Só falta trazeres um chouriço para assar”, oiço a colega dizer.

quantas vezes queres que diga?

Não é a décima primeira vez que te digo “amo-te”. Nem a vigésima quarta que solto um “desejo-te, morro se morreres para mim” Não será a ultima que direi “venero-te”. Quando digo que és o homem da minha vida apesar de ser a quadragésima terceira vez, sinto ser como a primeira. Tenho setenta e sete motivos para tal. Porque és.

 

de dentro

 

Quando ele morreu, meteram-me numa casa com duas desconhecidas. Eu, a minha irmã e duas senhoras conhecidas da família. Lembro-me do cheiro a mofo. Do cobertor velho que usei para me tapar a ver televisão. Meteram-me a fazer bolo de bolacha com café para esquecer que o meu pai tinha desaparecido da minha vida. A molhar a bolacha Maria no café. Deram-me uma espátula para cobrir o bolo de bolacha com uma massa amarela, feita de açúcar. Lembro-me do cheiro daquela cozinha. Não diria que um bolo faz parte da minha memória mas aquele momento entranhou-se na minha vida. Tendo em visualizar sempre que me lembro daquele dia. Faz parte de mim, sou eu com oito anos.

será, quem está mal que se mude?

 

Lembro-me que nunca fui de confusões. Já na escola era assim. Evitava, fugia. Primeiro porque sempre fui medricas e não tinha jeito nenhum para a porrada. Sou magrinha, só sei puxar cabelos e pouco mais. Lembro-me que quando uma rapariga implicava comigo eu fazia de tudo para a evitar. Não enfrentava com medo. E chegou acontecer, na escola houve uma rapariga (ainda hoje a encontro por aí) que decidiu implicar comigo, cada vez que me via tinha me empurrar ou chamar-me nomes. Antes ninguém fazia queixa a ninguém. Ou se defendia ou viva dessa forma. Uns tempos depois ela parou. Arranjou outro alvo. Apesar de continuar magrinha e sem vontade de andar à porrada sei que existe muita miúda que merece uma valete chapada. Uma humilhação em público. Um esfregar de nariz no chão da calçada. Já não tenho medo como antes. Se sentir que me estão a ofender não me calo. Não deixo que me pisem e faço questão de sair por cima. Simplesmente, deixo de falar e quer eu queira, quer não, cada vez que uma rapariga  irritante passa, tenho dezenas de pensamentos maquiavélicos. Só pensamentos. Apesar de alguma força física a minha força mental é superior. Nunca farei nada para humilhar outra pessoa, nunca farei alguém sentir-se mal de propósito, nem mesmo a quem merece tudo isso. Não sou assim. Quem  o faz é fraco em todos os sentidos.

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