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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Só de imaginar

Blue Velvet Skirt From Made By Me, Lacey Vest From Thrifted, Gray Cami From American Eagle

 

Um dia destes ele vai beijar outra e só de imaginar, dá-me nojo. Um dia eu vou beijar outro e só de imaginar, dá-me nojo. Mas um dia será assim, é tão certinho como agora estar aqui sentada a teclar este texto estúpido. Um dia será assim, mas o nojo confesso que me mete nojo. E dá-me aquele frio na barriga sempre que imagino estas merdas.

Compromisso

 

 

  Zara Studded Bag From Zara In Germany, Converse Over Worn Dirty Sneakers, Coca Cola, Striped Shorts From Goodwill

 

 

Farei o mesmo que tu, não te vou recordar nem falar dos momentos bons que tivemos. Nem dos maus. Simplesmente não serás mais a minha conversa, nem o meu sorriso. Não vou continuar a pensar num assunto que decidiu morrer com palavras tuas. Assim, só porque me sentia triste e tu decidiste nem sequer pensar nisso. "Estás mal, mete-te bem!" . Eu não conseguia dessa forma. Essa indiferença em relação à minha companhia, fazia-me sentir que ninguém me queria por perto. Até descobrir que afinal não é verdade. Que quando se tem um COMPROMISSO, interessa partilhar momentos, partilhar amigos e copos com ou sem alcool. Não podemos ser uma pessoa com dupla personalidade. Se o amor existe, existe e chega para os obstáculos deixarem de existir. Não há faltas de à vontade, porque existe a cumplicidade. Muito menos existirá mentira. Nem falta de tempo, porque não apetece ou se sofre de ressaca.

 

E isso só descobri porque não tive. Percebi que havia um vazio dentro de mim e, aceitando ou não, é sinal que as coisas não estão bem. Basta perceber que todas as tuas palavras foram palavras. Muitas vezes, para me calar. Para me adormecer enquanto ias festejar. 

 

 

Um dia as festas acabam, assim como o amor. Rápido de preferência.

 

 

Só hoje

palácio de cristal, Porto

 

Só hoje desfiz as malas que levei na viagem para um fim de semana. Por mim, a roupa ficava a apodrecer. A ganhar bicho, ou vida própria.

 

Só hoje reparei que corri lojas, feiras, alfarrabistas, sites, tudo o que esteja relacionado com letras e enchi a estante com doze livros por ler, em menos de uma semana. Excluindo os que estão para chegar por correio.

 

Dei por mim a não enviar mensagens atrás de mensagens com o desejo de receber respostas. Esquecendo-me do telemóvel e daquele toque irritante.

 

Dormi como um bébé, sem pesadelos ou insónias. Quem me dera dormir sempre assim! Conseguindo desligar-me de tudo e todos.

 

Hoje percebi que as coisas podem estar a mudar. Só não sei em que sentido.

 

Primeiro Lugar - Passatempo

Minha querida filha

Um dia encontrarás esta carta, não interessa quando. O destino se encarregará de a levar às tuas mãos, misturada com fotografias e recordações que a tua avó guardou.

Sei que vou morrer cedo e é para essa eventualidade que te escrevo. Quero despedir-me antes que seja tarde demais. Não quero partir sem te deixar estas palavras.

Vivo no fio da navalha porque gosto, a vida só faz sentido se for ao vivida ao rubro, talvez um dia possas entender esta semente de loucura que me leva a fugir à rotina e à estabilidade.

Tudo tem que ser levado para lá do limite, senão a normalidade sufoca-me, prende-me, mata-me aos poucos. E eu prefiro morrer depressa, na adrenalina louca da corrida contra o tempo, contra a razão, contra o perigo. Não procuro a morte, apenas a desafio. Procuro sentir-me vivo alcançando aquele patamar de euforia onde não há amarras e o poder é absoluto.

É estúpido  tentar explicar isto a uma criança, mas talvez possas encontrar algum sentido depois de ler e reler estas palavras, ou talvez só te chegue às mãos quando já tiveres idade para compreender.

Esta noite sinto que a aposta que fiz com os meus amigos ultrapassa todos os limites. Sinto o coração acelerado com a vertigem do abismo, os olhos cegos de expectativa, os ouvidos surdos às vossas súplicas para ficar em casa e partilhar uma noite em família. Amo-te minha filha, amo-te acima de tudo mas não sou um homem de família. Prefiro ir desafiar o perigo, mesmo sentindo que esta noite a sorte pode acabar. Encaro a morte de frente e não desvio o olhar.

Mesmo que não seja esta noite, sei que morrerei na mesma velocidade vertiginosa em que sempre vivi, nalguma aposta impossível, nalgum desafio louco. Sempre vivi assim e assim hei-de morrer. Não porque queira morrer, mas porque não sei viver de outra maneira.

Como todas as drogas, a adrenalina requer doses cada vez maiores, e quanto mais alto se sobe, maior é a queda. E se esta noite for a última, filha, quero que saibas que pensei em ti.

Lamento abandonar-te assim, deixar a tua infância marcada com este luto, deixar a tua vida fragilizada com esta perda que jamais aceitarás. Imagino esses olhos tristes procurando em vão a minha silhueta, o teu espírito chamando por mim noite e dia, o teu coração dilacerado pela dor, a revolta que te sufoca, a saudade que te atormenta, a tua cabeça congeminando mil fantasias para conseguires justificar a minha ausência e preencher esse vazio.

Perdoa se eu não fui um bom pai. Eu sei que não tinha o direito de ser egoísta e de seguir todos os meus impulsos, desprezando as consequências. Só por ti me arrependo de não ter tentado viver uma vida mais normal, a vida de um pai que acompanha os filhos e lhes dá segurança. Por ti, gostava de ter sido um pai protector e responsável, um pai presente. Por ti, gostava de conseguir ser tudo o que não sou.

A vida continuará sem mim, por mais que te custe a admiti-lo. Tu tens garra para conseguir superar os obstáculos e inteligência para ir mais longe do que eu fui, sei que me vou orgulhar de ti. Quero que o saibas e que o sintas, ainda que não me vejas.

Se herdaste os meus genes e tentares perseguir o infinito sem te importares que o sol queime as tuas asas na ânsia de desvendares outros mundos, nessa ténue fronteira entre o equilíbrio e o desequilíbrio, entre a aventura e a demência, talvez consigas identificar-te comigo e perdoar-me.

Eu vivo em ti, eu vivo através de ti, escuta o meu eco. Só te peço que nunca aceites menos do que mereces e menos do que sonhas, nunca te acomodes a uma rotina estéril onde te sentes vazia. Valoriza-te a ti própria, aceita o passado, investe no futuro. Tu tens luz dentro de ti, deixa-a brilhar. Não deixes que ninguém apague esse brilho.

Adeus, pequenina. Estarei sempre contigo.

O teu pai que te adora.

***

Obrigada Cigana.

Esta foi a carta que nunca recebi mas gostava de ter recebido na realidade. Perfeita.

 

2º Lugar Passatempo

Querida Cláudia (minha menina com mau feitio),

 

Vou saltar uma série de formalidades que aprendemos na escola acerca de escrever uma carta: escrever a data, o sítio de onde se escreve, blá, blá, blá. Mas como te vou entregar a carta à mão, vou abreviar (e com isto perdi mais tempo do que se tivesse escrito o cabeçalho, mas enfim!). 

 

Como já reparaste, voltei ao meu estado normal! Recuperei do choque, essa é que é a verdade! Quando me disseste há p’rai… três horas que ias trabalhar para Londres durante dois anos achei que qualquer coisa ia desabar. O café onde tantas vezes vamos, aquele cantinho onde nos sentamos há anos, subitamente pareceu-me um sítio apertado e as vozes à nossa volta intensificaram-se de tal forma que deixei de te ouvir a ti, que estavas mesmo ali à minha frente com um olhar melancólico, esforçando-te por fazer um sorriso feliz, enquanto os teus lábios diziam: “São só dois anos!”. Ouvi-te também calcorrear com a voz coisas como “O tempo passa num instante; podes sempre ir visitar-me” e ainda “eu vou vir cá também, nas festas”. Desejei ter ouvido mal, juro!

 

Conhecemo-nos desde pequenas, partilhámos os primeiros anos de escola, os primeiros desgostos amorosos, as primeiras dúvidas existenciais. E nunca vou esquecer quando olhaste para mim e tiveste a certeza que eu tinha tido a minha primeira experiência sexual. Até hoje não sei como é que raio descobriste antes que eu te contasse! Chorámos juntas tantas vezes e o que rimos então nem sei dizer! Estiveste sempre ali ao lado da minha casa, ao toque de uma campainha podia ver-te, correr para te contar alguma coisa. Nunca pensei na hipótese de tudo mudar e mesmo quando dizias que querias ir trabalhar para fora do país, custava-me acreditar. Não quis acreditar! Puro egoísmo, eu sei, mas sempre achei que nunca nos íamos separar mais do que mudar de casa, ou quem sabe, no máximo de cidade!

 

Há montes de coisas que há pouco não te consegui dizer e o meu silêncio, assim como a pressa de voltar para casa, não significam que não tenha ficado feliz por ti. Mas é que nunca te levei a sério com esse teus sonhos de seres uma daquelas miúdas que se passeiam alegres pela grande cidade europeia de bicicleta, escapulindo a um dia de chuva com um gorro e um cachecol esvoaçante. Imaginava-te a aterrorizares o pessoal aqui eternamente com esses teus ataques de rabugice quando a noite já vai alta, com essa tua esquisitice com a comida, com essa tua mania de escolheres sempre os sítios para onde vamos sair e tantas outras coisas que fazem de ti uma pessoa insuportável a quem, estranhamente, ninguém resiste!     

 

Agora aqui estou, sem sono, mas já mais tranquila, a conseguir escrever aquilo que não te disse. Vou ter saudades! Vou ter saudades de me ligares à noite porque não tens sono e queres que veja um filme contigo, ou de bateres à porta da minha casa porque estás a meio de um encontro e ficaste sem sal para temperar a salada. Vou ter saudades do teu medo de baratas e osgas, da tua relutância em usares saltos altos, da tua mania de queimares tudo e mais alguma coisa por causa dos cigarros (inclusive a minha blusa preferida!). E já agora, só não vou ter saudades de tu a fumares! Isso é que vai ser um mar de rosas! E porque sei que detestas lamechices mais ainda do que detestas ler grandes testamentos, vou abreviar: não te esqueças de mim, porque eu vou pensar em ti todos os dias.   

 

Um beijo,

Hyndra  

    

3º Lugar - Passatempo

Há uns doze, treze anos atrás conheci-te… tinha eu acabado de entrar numa escola nova, num mundo novo, onde tu já fazias parte.

Lembro-me que a nossa primeira impressão não foi das melhores, mas também me lembro que isso depressa passou e passámos a não conseguir estar longe uma da outra. Parece que ainda hoje ouço dizer: “aquelas duas não se largam, onde está uma está a outra”… e não estavam enganados!

Fizemos coisas e passámos por coisas que só nós as duas entendemos. Se eu pudesse mudar alguma coisa, creio que não mudaria nem uma vírgula, nada é por acaso, não é Cláudia? Foi contigo que vive muitas “primeiras” vezes! Foi contigo que chorei e ri à gargalhada muitas vezes.

És uma parte de mim… e hoje na hora de “um até já” parece que uma parte de mim vai embora também.

GOSTO DE TI, GOSTAS DE MIM…

É inexplicável a nossa aproximidade, a nossa empatia, a nossa cumplicidade, a sinceridade, as brincadeiras, a preocupação, até algumas das nossas conversas mais acesas. Tenho a certeza de que sentiria saudades tuas mesmo que não te conhecesse, se não existisses tinha que te inventar. A nossa amizade é tão simples de se sentir mas tão complexa para ser descrita. Talvez porque isso não se explique mesmo, simplesmente se vive e se aproveita. Como até agora temos feito tão bem!

ADORO ser tua amiga!

ADORO esta amizade que com o tempo se tornou muito para mim,
ADORO esta amizade que não me abandona
ADORO esta amizade que me encoraja
ADORO esta amizade que me faz rir
ADORO esta amizade que me ajuda a ser feliz….

Um grande beijo minha makaka
Até já!

 

Autora Pinky

 

***

  

O dia tão esperado

Chanel 2.55 Handbag, Primark Socks, Chanel Ribbon, Topshop Shoes

 

Hoje vou agarrar na minha Chanel 2.55* e meter-me a caminho. Assim, tal princesa Cinderela no alto dos meus saltos altos. Com música em cada passo. Um grande sorriso estampado no rosto. Vou de mente aberta para o que se segue. De mansinho, explodindo por dentro. Hoje, chegou o dia pelo o qual esperei tanto tempo. "Bora lá miúda, é sempre a subir.

 

Se me virem por aí, digam Olá, eu juro que sou educada. Sempre.

 

 

* Chanel 2.55?! Querias tu... Parecida, apenas parecida.

 

O passatempo está quase quase quase acabar.

Não digas

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Não digas que vais ter saudades minhas porque não vais. Nem sequer serei teu pensamento por momentos. Não digas que vais pensar em mim porque não vais. Não saberás que existo durante aqueles dias. Não digas mentiras porque ainda aqui estou e já dispensas a minha presença. Não me peças desculpas porque fazes na mesma o que me magoa. Não digas que me adoras e vais estar cheio de ciúmes porque nem sequer queres ir comigo. Não digas que sou importante para ti porque a única pessoa que conta és tu. Não digas que estou acima de tudo porque os telefonemas dos teus amigos superam-me. Não digas que sou especial porque no teu céu eu não brilho, estou apagada. Não me digas boa noite, porque tenho sempre noites péssimas. Não me digas bom dia, porque já não tens mais nada para me dizer. Não digas que me amas, quando todos os teus gestos mostram o contrário. Não digas que gostas de estar comigo porque foges sempre dos nossos momentos. Não digas que sou tua, porque nem sequer sabes. Não vale a pena dizeres que isto é apenas uma fase, porque serás sempre assim. Não me desejes, como se eu fosse apenas um corpo. Não me abraces só porque te peço. Não me beijes só para te despedires. Não me mates, porque preciso de viver. Não digas que me dás valor, porque nem sequer sabes o valor que tenho. Não repitas que não te chateio quando passas a vida a dizer que sou chata e te quero controlar.

 

Aliás, não digas mais nada. Sempre dizes mais do que costumas dizer.

Acordes

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Fui ansiosa, sem preparar qualquer diálogo. Logo se via, logo acontecia. Eu não fazia ideia de como seria aquele olhar, aquela forma de falar. Gesticulava tanto que eu não cabia naquele espaço. Dei por mim a observar tudo, cada gesto, cada palavra. Desconfiei de mim mesma. Seria possivel sentir que conhecia alguém, conhecendo tão pouco? Sim.

 

Aquela palavras deixaram-me a pensar. Até agora. Até nos meus sonhos. Aquelas notas afinadas. Bato forte na cabeça e quero que isto desapareça, em vão. Já tenho os gestos comigo, assim como as palavras ao ouvido. Que me arrepia até hoje. Que me deixa um vazio por não ter mais. Seria possivel ter saudades de algo que nunca tive? Sim.

 

Agora não sei nada. Nada. Só para variar um bocadinho. O que eu gosto disto. Não ganhes juizo não.

 

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