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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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ideia orgásmica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Admito que aquilo que mais me magou foram as suas palavras. Foi iludir-me com sonhos em comum e em seguida acabarem sem pensar na pessoa que está à sua frente com os olhos grandes e ansiosos que aconteça uma mudança,que se realize o sonho. Foi prometer com todas as garantias que me iria amar e no fim dizer que afinal só gosta um bocado de mim.

 

Uma pessoa fica chateada. Quer fingir que as feridas passam.Uma pessoa quer mas não consegue. E depois... depois tem vergonha de saber que os princepes só existem nos livros e que ele não passa de um ser humano. Afinal, sempre soube mas virava a cara em relação à situação.

 

O meu namorado? Ele é perfeito. Faz tudo por mim. Passa por cima de qualquer coisa por mim. Passa? Não, não passa. Quem passa por cima dele sou eu. Com uma máquina daquelas de pisar alcatrão. Sem escape possivel.

 

Olhem, fiquem a saber que não há homem perfeito. Existe durante uns meses, mas só isso. Desde que o sexo seja bom, fingimos que até é capaz de voltar a ser o que era. Enfim... só durante o orgasmo, que é quando uma pessoa está feliz e não pensa muito bem.

Depois fumamos um cigarro e o fumo... O cabrão do fumo mostra que não passou de alegria orgasmica. O gajo imperfeito está mesmo ali à frente. Olha, que se lixe. Se não há homens perfeitos, pelo menos fico com este que me faz vir.

 

 

(ah que bom...)

 

O estranho envelope

 

 

 

Agarrei nas chaves do carro e fui dar uma volta. Por qualquer lado, só por ir. Preso ao limpa vidros estava um envelope branco com a frase. "Para ti.". Olhei em volta como quem procura alguma coisa. Seria mesmo para mim? Não se teriam enganado? A vontade de espreitar fez-me abrir o estranho envelope. Um postal em tons cinza, com desenhos de flores e borboletas. Que lindo, pensei. Li e reli o seu conteudo. Parei pensativa e voltei a ler. Um simples poema. Um resumo de uma história de amor profunda e apaixonante. Um desejo de duas pessoas que se amam. Agarrei no postal e voltei a colocá-lo no envelope.

 

Fora escrito para mim. Aquela história de amor era a minha. Em tão poucas letras, em tão grande sorriso pensei. Como sou amada. Como tenho a sorte de amar.

 

- Quem é que escreveu o poema?

- O meu poeta. O meu poeta.

Melissas, só mais uma

Foto Retirada do Google

 

Sou louca por sapatos. Doente terminal. Comprei mais dois pares. O que quero mesmo são as Melissas. Novas. Brancas com brilhantes. E se não as encontrar, se não as tiver nos meus pés dentro de duas semanas, eu juro que farei uma greve qualquer ou ameaço cantar a música do Sapo durante dois dias seguidos.

 

Marcas limpas de uma só vez

 

Foto retirada do Google

 

Tive de arrumar a roupa toda antes que ele chegasse. Não o que queria ver mais e era fácil fugir dali para fora. Olhei para o copo quase vazio de vinho, dei um gole e vi a marca que ficou no móvel. Uma marca que facilmente podia sair com um pano molhado. Não ia limpar. Farta de marcas andava eu. Faltava um casaco preto. Meti-o na mala cheia. A minha forma de vida numa mala vermelha. Ah, os perfumes. Sem o meu cheiro, a minha pele, o meu andar naquele chão, estava tudo morto. Como as rochas perto do mar. Corri o fecho e suspirei. Estava na hora de fugir dali para fora. Sempre fora medricas pelos outros. Não tenho qualquer problema em dizer o pior, olhos nos olhos. Não tenho pena, sou cruel e consigo ferir mais que uma bala. Saí pelas escadas a correr. A partir daquele momento o passado estava fechado. Limpo como quem limpa as marcas de vinho. De uma só vez. 

 

- Como é que és capaz?

- Nasceu comigo.  

Rasgos

Podia dizer que o mar me inspira. Podia contar o quão triste tinha sido a minha infância ou as peripécias absurdas pelo qual passei. Podia jurar a pés juntos que escrevo para conseguir viver, como quem precisa de àgua. Podia escrever só por escrever, ou fazer como a Senhora só para ser fino e ter um livro escrito na estante velha do sótão lá de casa. Podia dizer que faço colecções de canetas e caderninhos. Nesse caso, é verdade. Compro todos os que encontro e me façam brilhar os olhos. A minha prima diz que nunca irei usar metade ou um quarto. Não quero usar, é uma colecção. Serve para encher a alma. Há quem compre malas ou copos de vidro. Eu prefiro uma caneta, um caderninho,... Nunca percebi o porquê. Só porque sim ou sabe bem ter mais um. Adiante. Podia inventar tanto, como fazia à minha mãe na hora de dormir. Ou ao meu vizinho, só para ele ficar com os olhos presos em mim. Não o farei.

 

Não sou a Inês, mas podia ser.

Desilusão

São as pessoas que mais gosto que mais me desiludem. Acontece com todos nós. É delas que mais esperamos tudo aquilo que damos. Não esperamos como quem espera um comboio ou assim. Não. Esperamos como quem espera um obrigada ou um sorriso. Damos tão tanto de nós que um simples gesto será muito mais do que foi dado. Na amizade, no amor, é assim que funciona. É como se alimenta os afectos do ser humano. E depois as pessoas são tão importantes para nós, que nunca metemos em causa virem a desiludir com o quer que seja. Mas acontece! Aconteceu-me. Se aconteceu...

 

 Não olho a pessoa da mesma forma. E não tenho maneiras estranhas de olhar as pessoas. Os meus olhos são normais, felizmente. Castanho-esverdeados. Só que já não é igual. Não sou igual. Os meus actos de afecto não são os mesmos. 

 

- Desculpas-me depois do que te fiz?

- Desculpo, mas jamais esquecerei o que me fizeste.

 

É o mesmo que não desculpar interiormente. Não tenho a culpa de ter uma forma estranha de ver a vida.

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