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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Em terceiro, no Passatempo Mau Feitio

Autoria: R.L.

Blog da autora: www.asinhasdefrango.blogspot.com

 

Se eu morresse hoje, morreria no silêncio absoluto das coisas amadas. Iria para lá da morte, para lá da luz que nos trespassa no último instante de vida.
 
O silêncio absoluto das coisas amadas, que nos restam e que ficam. Como um rasto de caminho perdido entre a despedida que não se deu, porque apesar de tudo, não me despediria. Fosse a dor o que quisesse, morreria com um sorriso, se eu morresse hoje.
 
Poucos saberiam, talvez alguns viessem a questionar-se. Mas quantos no mundo morreriam hoje comigo?
 
Se eu morresse hoje arrepender-me-ia de ter desejado que no dia da minha morte alguns se sentissem culpados. Pois no derradeiro instante, aquele em que sentimos o desvanecer do corpo e depois da mente, no derradeiro instante, percebemos que a morte não cura dores passadas, nem anseios, nem medos, nem prisões de sentimentos. A morte cura apenas a vida.
A vida doente daqueles que a viveram cansando-se ou não, até chegar o último minuto. Vida doente, de prazeres recheados, de dores, de alegrias, de males. A vida é sempre doente.
Doente de amor.
Quantos não quiseram já morrer de amor?
Não se morre de amor. O amor somente morre connosco.
 
Se eu morresse hoje, o amor morreria comigo, assim como morreriam todas as pequenas coisas que me pertenciam, e a mais ninguém, apesar de guardadas nas memórias apertadas de quem as quisesse recordar.  
 
Se eu morresse hoje ficavam alguns sonhos por realizar. Mas o que são afinal os sonhos numa vida doente que caminha para o acabar?
Onde estivesse, continuaria a escrever. Palavras doces, amargas, doces amargas e silenciosas, como de costume, para quem, dentro de si, as soubesse ler.
 
Se eu morresse hoje, se pudesse, chegaria perto de cada um no mundo que perdeu alguém, matou alguém, viu alguém morrer…e diria: que o melhor que foi criado, foi um novo dia – o amanhã. E se eu morresse hoje, amanhã já cá não estaria… talvez.
 

 

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