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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Senti tudo pela segunda vez, em câmara lenta. O maior susto da minha vida

Senti tudo pela segunda vez. Quando vi a ambulância, o carro dos bombeiros. Senti prontamente que algo estava mal. Comecei a tremer, as lágrimas quiseram cair imediatamente. A minha mãe. Era só o pensamento. A minha mãe. Tinha um carro novo, andava a passear. Agarrei no telemóvel e liguei-lhe na esperança de ouvir a sua voz. Não tinha saldo. O coração acelerou. As lágrimas já corriam. A minha mãe. O João pedia-me calma, "não é ela, não sejas parva". Pedi-lhe o telemóvel e voltei a ligar. Os dedos fugiam. A garganta seca, o nó na garganta. As pernas a desfalecer. A cor da minha cara a desaparecer. Multidão. Confusão. E as palavras que não queria ouvir, "é um Mégane preto". Era ela.  Saí do carro a correr à procura da minha mãe. E não a vi. Só via ambulâncias e pessoas nervosas. Carros batidos. E nada. Perguntei a chorar, "digam-me onde está a minha mãe", "que lhe aconteceu?". Senti medo, que tinha perdido tudo. O mais importante da minha vida. Senti o meu Mundo cair e espalhar-se pelo chão. Senti frio e raiva. Olhei para as pessoas e ninguém me respondia. "Está ali, está bem". Corri para ela, abracei-a, desatei a chorar, agarrei-a com a maior força do Mundo. Do meu Mundo. Da minha pessoa. Não a podia perder nunca. Não podia deixar de a ter. Nunca. Seria ficar sozinha. Sem ela. Depois do meu pai. Hoje senti o mesmo que senti com oito anos. Medo. E só de reviver tudo, as mãos tremem. Que seria de mim? Felizmente tudo está bem, sem sequelas. Duas pessoas foram para o hospital e ainda não tivemos noticias. A minha mãe estava com a minha irmã Daniela. Assustou-se, mas já passou. Brinca na sala. No meu intimo, sempre que fecho os olhos e me lembro da sensação vejo que o meu Mundo acabou por breves momentos, onde tudo passou devagarinho. E antes, ela a sorrir, feliz, pronta para ir passear. A convidar-me para ir com ela. E eu a dizer que não, como faço sempre. Parece-me que vou fechá-la em casa, para ficar sempre comigo. Perdê-la, seria a maior traição que a vida me podia dar. Pela segunda vez. E aí, já não ia aguentar. Vou ficar com o coração apertado sempre que ela saia de casa.

 

Conclusão, foi o maior susto da minha vida.  Livra!

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