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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Os pinguins imigraram, fui com eles

 

Dei tudo de mim, tenho consciência disso. No inicio, tive medo e não me entreguei. Não quis bater com a cabeça novamente. Não acreditava no amor, nessas coisas do viver com outra pessoa, no casamento, no abraço sincero para uma vida. Promessas era o que era. O coração foi abrindo e desejei amar com força. Sério. Dei um passo e outro e outro. E por mais estranho que pareça, tudo fazia sentido depois dessa caminhada. Vivi momentos inesquecíveis e únicos. Estará tudo guardado comigo, claro. Mais tarde, as lágrimas chegaram acompanhadas do medo de perder tudo o que tinha conquistado com tanta força. Foi como ver o meu chão a desaparecer. Aos poucos para eu entender. Só que não entendi. Queria fugir e corria com toda a força contra mim mesma. Não conseguia ir. Não queria ir com tanta força com que queria ficar. Fechei os olhos e guardei a dor escondida por entre as outras dores. Minimizei sempre mesmo quando entrava em histeria. Gritei tanto, chorei tanto. Faz parte da vida quando se mete o amor no meio. Percebi que estava a amar de verdade. Amar de verdade, eu?! Quem diria. Quem me conhece ou conhecia sabe que não sou rapariga para essas coisas, coisas sérias. Passava a vida a brincar comigo e com os outros. Não custava. Só que a vida pregou-me uma enorme partida onde eu fiquei em pedaços. Daqueles pequeninos. Os olhos teimavam em fechar. Chorar e fechar. Fui transparente. Sequei. Sempre soube, Cláudia tu dás tudo de ti e depois ficas sem nada. Guarda um bocado para ti. Não guardei, dei tudo o que restava. A Lua deixou de brilhar. O Sol? Esse… fugiu para brilhar noutros lugares. O Mundo é grande e a Lua não pertence ao Mundo. Já não pertence a nada, só a si mesma quando descobrir o que anda cá a fazer sem ser para iluminar as pessoas durante a noite. A noite não presta, faz-me fechar os olhos mais uma vez. O orgulho sempre esteve na minha pele até ao dia que fui tatuada com outra coisa. Até o orgulho deixou de existir. Cresci com a dor. Tornei-me uma melhor pessoa e preparada para tudo o que vier a seguir. Hoje sem luz, sem coragem para amar novamente com tanta força, sem tudo o que quis para mim. Tive birras, ciúmes parvos, atitudes egoístas, eu sei… não peço desculpa por isso, nem por nada. O pagamento está a ser feito. E muito bem pago, pelos vistos. Sou só mais uma a sofrer nas malhas do amor, só mais uma a ficar sem lágrimas. E a desistir de tudo, a desistir de mim. Jamais pensei querer casar com alguém e até houve um pedido de casamento que aceitei deslumbrada. Mostrei o anel a toda a gente, ninguém se atravessava no meu caminho. Gritei com tanta força por dentro. Porra, sou mesmo feliz. Tenho tudo. O anel desapareceu do meu dedo. Depois quis uma casa, um tecto a dois. Maravilhoso procurar o nosso espaço. Sonhei com o dia que ia abrir aquela porta e perguntar. Como foi o teu dia? Isso não passou de uma ilusão passageira. As paredes da sala que tanto quis que fosse em azul desapareceram. Um dia, lá em Óbidos prometi lutar e esquecer o passado. Lutei, lutei e corri tantas vezes atrás. Guiava feita maluca por aquelas estradas à procura daquela cara. Pelo meu destino que afinal não era. Desesperei no meu quarto. Fumei cigarros atrás de cigarros enquanto perguntava. Porquê? Limitei a minha vida a isso. Apaguei sonhos porque os meus sonhos já não eram os mesmos. Quis fazer parte da sua família e quis saber se podia. Não me foi permitido. Aceitei. As minhas cartas foram devolvidas, rasguei apesar de tentar colar os pedacinhos para voltar a ler. Um dia acreditei, outro confiei e depois fui sincera. Sinto-me burra apesar de ter aprendido. Não confio no sentimento Amor, não me volte a querer bater à porta, está fechada. Aliás, a casa foi queimada e mergulhada no sítio escuro. Não vale a pena dizerem que passa. Não passa, uma história assim jamais vai desaparecer com o tempo. Por mais que sorria. Durou o suficiente para perceber que ele foi a minha vida, o meu chão, as minhas paredes. Tenho os braços abertos e não toco em nada. Fui o que soube ser, dei o que achava ser o melhor de mim. Foi por amar demais. Demais, demais. Agora silêncio, não disse nada, não  contem a ninguém que estas coisas também me aconteceram a mim. Vá, confesso. Fui muito amada e amei muito.
 
Bar. Vasco da gama. Cinema. Atrás das bombas. Beijo. Como dois miúdos. Óbidos. Nazaré. Leiria. Lisboa. S. Pedro de Moel. Rock in Rio. Praia. Carro. Baleal. Figueirinha. Gerês. Chaves. Montijo. Serra Montejunto. Jardim. Fotos. Banho. Filmes. Arroz de Marisco. Surpresas. Livros. Cartas. Poemas. Noite. Carnaval. Pinguinha. Mo. Natal. Princesa. Poeta. Anjo. Vida. Nada.
Um pequeno filme que passou pela minha cabeça.
 
 
Os pinguins imigraram e eu fui com eles. Fui tudo!

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