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A Mulher Certa

claudiaoliveira23[gmail]com

A Mulher Certa

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Não sei em que mundo vivem

Nota-se claramente um interesse na vida alheia quando falam na separação dos outros dois. Normal, por segundo acabam tantos casamentos como começam amizades coloridas. Não stressem, pelo menos não andam a fingir como a maioria com medo que os outros falem. Pelo menos tiveram tomates para sair da infelicidade de uma relação frustrada. E agora, seguem em frente e arranjem outro que a vida é pequenina para se perder com casamentos mal amados.

Duas

Fiquei nove meses à espera de ouvir "amo-te". Depois à espera de ouvir "que orgulho!". Como não resultou, voltei a tentar. Mais nove meses. Mais uns dias. As palavras não chegaram. Se não foi desta, a certeza de que nunca chegarão está mais do que clara. Óbvio que nunca chegarão. E é isso que me consome. Todos os dias. E quanto mais consome, mais eu entendo que afinal a morte do meu pai não foi o meu maior problema durante vários anos. Não foi. Eu que sofri tanto com a morte dele quando o problema vivia comigo na mesma casa. O problema é que a morte dele me deu espaço para ver o resto. Eu camuflava, agitava aqui e ali mas duas ausências é bem pior que uma.

Estou a passar por isto

Eu lembro-me que me diziam "não deixas ninguém chegar perto do Gustavo". Eu lembro-me sempre quando me apontavam o dedo sobre a minha enorme proteção à sua volta. Até que comecei a acreditar que se calhar até tinham razão. Se calhar devia deixar-me de exagerar e libertar-me mais. Aos dois. Nasceu a Francisca e eu prometi que não ia ser igual. Ia ficar perto mas um bocadinho mais longe. Para os outros chegarem, terem espaço. Agora sou acusada de não gostar dela da mesma maneira. Ou massacro-me porque não sou igual. E não sou. Mas quem tanto me apontou o dedo, continua a não fazer nada para estar perto, mesmo perto. E eu fico longe a rir-me por dentro, a chorar por fora. Eu sabia, o problema não sou eu ou a forma como amo. O problema são os outros que não sabem amar como eu amo os meus.

Não é nenhum conselho, mas podia ser

Não és melhor por seres mais esforçado, não és melhor por te preocupares, não és melhor por nada. As pessoas acabam por aceitar tudo o que fizeres. Mesmo que seja a pior bosta, vão dar-te um motivo. E também criticam na mesma se for preciso. Então, resumindo, não gastes muita energia. É a mesma merda.

...

Não sou capaz. Não dá, não aguento mais. Eu não consigo e preciso que me deixem não conseguir. Preciso de não ter mais este peso e não ser perfeita. Deixa-me ser fraca, desequilibrada. Deixa-me sem conselhos. Deixa-me ir lá ao fundo. Porque só costumo ver luz quando estou no fundo. Sabes, não foi nada disto que esperei. Nem sequer gosto. Não dá, não quero. Fui uma desilusão absoluta nas minhas escolhas. Não sou capaz. E todos os caminhos que tenho à disposição são tortos. Penso, e se vos fosse a contar o que penso, sei onde estava agora. 

Regresso

Olha, regresso ao emprego na segunda feira. "Momentos de angustia", dizem. Tranquila, digo. Sempre aceitei aquilo que acontece ou vai acontecer sem grandes sobressaltos. Se com o primeiro filho estava nervosa, com o segundo isso acabou e sei que ninguém morre e tudo passa. 

De directa

Eu podia ter ido dançar feita louca debaixo da lua enquanto passava as mãos pelo cabelo e cantava bem alto: eu queria dizer que não mas não consigo. No entanto, a realidade é tão longe da expectativa. Eu cantei a música enquanto guiava o carro descapotável que eu não tenho mas gosto de inventar que tenho. Eu dancei na mesma situação. Mas depois cheguei a casa e tinha o miúdo acordado. Ele adormeceu mas não estava quieto um segundo. Então depois começou a festa da diarreia e se eu contar já são sete fraldas sujas desde que cheguei. Depois vomitou muito. E eu estou aqui de olheiras à espera da próxima fralda suja, a dar água enquanto escrevo sobre a situação só para aligeirar a coisa enquanto canto: eu queria dizer que não, mas obviamente que não consigo.

Cada uma com a sua

Uma moça fez uma peça de roupa para oferecer a um bebé. Escolheu a cor preferida e mandou fazer num modelo exclusivo. O bebé nasceu, vestiu e deixou de servir. A mãe desse bebé ofereceu a peça a outra mãe que tinha tido um bebé. A mãe meteu uma foto no instagram do bebé com o fato verde. Uma moça viu, foi contar à pessoa que fez a peça. Ela não gostou e levou a mal. Expressou isso numa conversa na casa da segunda mãe. Eram todas amigas. Nem parece. Se calhar não são.

Se calhar a parva sou eu porque aceito roupa de outras pessoas e não vejo maldade nesse tipo de coisas. Se calhar a parva é quem oferece roupa usada feita com muito carinho a outra pessoa. Se calhar a parva é quem fez a peça e ficou chateada com isto. Decidam vocês. Eu tenho a minha resposta. Digamos que dei a peça à moça que mandou fazer a peça. 

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